Prédio de sete andares desaba após ataque em Gaza e deixa 12 mortos

Edifício residencial abrigava cerca de 10 famílias; equipes de resgate usam as próprias mãos na busca por até 100 pessoas sob os escombros.

Da
Redação
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Trabalhos de resgate no local onde prédio residencial de sete andares desabou na Faixa de Gaza.
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Um prédio residencial de sete andares desabou na madrugada desta quarta-feira (16) na Faixa de Gaza, após ter sido atingido por bombardeios. O colapso provocou a morte de 12 pessoas, entre elas cinco crianças, e deixou outras 14 feridas. As estimativas das autoridades locais apontam que cerca de 100 pessoas podem estar presas sob os destroços da estrutura, que abrigava pelo menos 10 famílias no momento do desastre.

Equipes de resgate da Defesa Civil palestina e agentes de órgãos das Nações Unidas iniciaram operações de emergência na área atingida para tentar localizar sobreviventes. Os trabalhadores enfrentam condições precárias de infraestrutura para acessar os soterrados, enquanto voluntários e moradores tentam auxiliar na remoção manual do entulho.

A escassez de maquinário pesado compromete o ritmo das operações no local, aumentando o risco para as pessoas que continuam presas. O incidente expõe a fragilidade das condições de moradia e a vulnerabilidade das estruturas afetadas pelo conflito em toda a região.

Socorristas buscam vítimas presas sob destroços

As equipes de emergência concentram os esforços nas primeiras camadas do desabamento para resgatar os moradores atingidos. Gravações registradas na área mostram socorristas tentando retirar duas pessoas presas sob uma parede que cedeu com o impacto. Em outra imagem registrada no local, o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, carrega uma menina ferida enrolada em um tecido manchado de sangue.

O diretor do serviço de Defesa Civil da Cidade de Gaza, Raed Al-Dahshan, explicou que a busca por sobreviventes continua sem interrupção devido a sinais de vida detectados na estrutura. Segundo ele, as famílias se mudaram para o edifício por faltar opções de abrigo, acreditando na estabilidade do imóvel, mas a estrutura cedeu totalmente enquanto os moradores dormiam.

Dahshan fez um apelo público para que a população se mantenha afastada de edificações danificadas por bombardeios, alertando para a possibilidade de novas quedas. Segundo o serviço local de resgate, cerca de 2 mil edifícios que sofreram danos estruturais continuam ocupados por famílias no território palestino.

Falta de máquinas compromete trabalhos de resgate

Agências internacionais apontam que a ausência de equipamentos pesados para a remoção de estruturas de concreto é o principal obstáculo para salvar as vítimas. O chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Gaza, Alessandro Mrakic, informou que representantes de órgãos da ONU auxiliam nas buscas, mas destacou que os trabalhos operam em situação limite, com pessoas utilizando as próprias mãos para remover detritos.

Autoridades palestinas e representantes das Nações Unidas atribuem a escassez de maquinário de grande porte às restrições severas aplicadas por Israel para a entrada de materiais e equipamentos na Faixa de Gaza. As limitações afetam diretamente a capacidade de resposta das equipes de emergência diante de colapsos de grande escala.

Em contrapartida, o governo de Israel defende as restrições impostas sobre a entrada de suprimentos e equipamentos. De acordo com a posição oficial israelense, as limitações operacionais têm como objetivo impedir que máquinas pesadas e insumos sejam desviados e utilizados por grupos militantes na região.

Inverno amplia risco de desabamento em 400 prédios

A proximidade do inverno intensifica os alertas das autoridades humanitárias quanto ao risco de novos colapsos estruturais na região. Estimativas divulgadas pelas Nações Unidas indicam que aproximadamente 400 prédios enfrentam risco iminente de desabar na Faixa de Gaza devido aos danos acumulados por ataques anteriores.

A ofensiva militar iniciada após os ataques de outubro de 2023 gerou um volume estimado em 61 milhões de toneladas de destroços e entulho. Cálculos da ONU apontam que o processo de remoção e limpeza de todo o material acumulado no território pode levar até sete anos para ser concluído.

Mesmo cientes dos perigos de desabamento, milhares de moradores optam por ocupar imóveis parcialmente destruídos. A falta de novas barracas de acolhimento e a necessidade de proteção contra o vento e as tempestades de chuva levam as famílias a buscarem abrigo em estruturas comprometidas.

Instabilidade persiste na região durante cessar-fogo

O desabamento ocorre sob a vigência de um cessar-fogo firmado em outubro de 2025, proposto com apoio dos Estados Unidos. O acordo permitiu a interrupção dos combates em larga escala no território, mas não impediu a continuidade de ataques pontuais e a estagnação das tratativas de paz.

Autoridades de saúde locais contabilizam mais de 1.300 mortes de palestinos em Gaza desde o início da trégua, em sua maioria civis. Por outro lado, o Exército de Israel confirma a morte de quatro soldados israelenses durante o mesmo período de vigência do acordo. O Hamas não costuma detalhar baixas entre seus combatentes.

O cenário político permanece tenso, com acusações mútuas sobre o descumprimento dos termos firmados. O Hamas acusa Israel de violar os termos e entravar a aplicação do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê a retirada israelense de Gaza e o desarmamento do grupo. Israel, por sua vez, atribui ao Hamas as violações do acordo na região.

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