Preço do petróleo cai com oferta adicional da Arábia Saudita

Contratos futuros do Brent e WTI recuam após relatos de cargas extras via Omã aliviarem apreensões sobre o fornecimento global.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Mercado internacional reflete recuo nos preços do petróleo com oferta adicional vinda da Arábia Saudita.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Os preços do petróleo registraram queda no mercado internacional nesta quarta-feira (16), pressionados pela indicação de oferta adicional da commodity por parte da Arábia Saudita. Relatos de que o governo saudita estaria disponibilizando cargas extras de petróleo bruto por meio de Omã ajudaram a aliviar as apreensões dos investidores quanto à dimensão das interrupções no fornecimento global.

Desempenho dos contratos futuros no mercado global

Por volta das 11h02, no horário de Brasília, os contratos futuros do petróleo Brent, referência para as cotações globais, recuavam 1,74%, negociados a US$ 106 por barril. O valor colocou a commodity abaixo da marca dos US$ 107 registrada em momentos de maior volatilidade na semana.

No mesmo horário, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência para os contratos negociados nos Estados Unidos, operava em queda de aproximadamente 2,4%. Com o movimento de baixa, o barril do WTI passou a ser cotado no patamar de US$ 103,22.

O recuo registrado nesta quarta-feira ocorre logo após uma sessão de expressiva valorização da commodity energética. Na véspera, os contratos haviam subido mais de 2%, impulsionados por temores sobre gargalos logísticos e de produção na região do Oriente Médio.

No encerramento das negociações de terça-feira, o petróleo Brent havia registrado alta de 2,9%, finalizando o dia cotado a US$ 108,75 por barril. Já o WTI apresentou avanço ainda mais acentuado, de 4,38%, fechando a sessão negociado a US$ 105,83 por barril.

Ataques à infraestrutura energética e fechamento do duto

A recente alta nos preços do petróleo foi desencadeada por episódios de tensão na infraestrutura de energia da Arábia Saudita. Ataques direcionados à malha do país deixaram o estratégico oleoduto Leste-Oeste temporariamente fora de operação.

Na última sexta-feira, autoridades da Arábia Saudita confirmaram o fechamento da área afetada pelas agressões. Segundo o comunicado do governo saudita, a paralisação foi provocada por ataques com drones disparados a partir do território do Iraque.

As autoridades do reino informaram que as investidas resultaram em pessoas feridas e causaram danos de proporções limitadas às instalações. Apesar do impacto restrito, a interrupção das operações do oleoduto elevou de imediato o nível de alerta no mercado global de energia.

Acusações internacionais e posição do Irã

Até o momento, nenhum grupo reivindicou formalmente a autoria das investidas com drones contra as instalações sauditas. Contudo, o episódio desdobrou-se em manifestações diplomáticas de líderes internacionais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a responsabilidade indireta a grupos de atuação proxy operantes no Iraque, que contariam com o respaldo do governo iraniano para conduzir operações na região.

Diante das alegações vindas de Washington, o Ministério das Relações Exteriores do Irã manifestou-se na última segunda-feira. A diplomacia iraniana negou categoricamente qualquer tipo de envolvimento ou ligação com os ataques registrados na infraestrutura saudita.

Importância estratégica e impacto no abastecimento

O oleoduto Leste-Oeste desempenha papel central na logística de transporte de combustível na Arábia Saudita. A tubulação estende-se até o porto de Yanbu, situado no Mar Vermelho, abastecendo diretamente refinarias localizadas na faixa costeira do país.

Historicamente, essa estrutura tem sido fundamental para contornar gargalos e conflitos no Golfo Pérsico. O duto permite o redirecionamento de milhões de barris de petróleo bruto diretamente para rotas do Mar Vermelho durante períodos de crise armada na região.

Avaliações divulgadas em nota pela Capital Economics indicaram a gravidade potencial do bloqueio temporário. Segundo a consultoria, a paralisação das atividades do duto poderia retirar de circulação até 4% de todo o fornecimento mundial de petróleo.

Entretanto, as informações sobre a liberação de cargas adicionais via Omã trouxeram alívio momentâneo às cotações, permitindo que os mercados futuros absorvessem parte dos riscos de escassez global.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *