Homem preso vestido de mulher na Paraíba diz ter matado 80 pessoas

Suspeito foi detido em Mulungu após operação conjunta e é investigado pela Polícia Civil por ao menos 16 homicídios recentes.

Da
Redação
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Operação policial na Paraíba resultou na prisão de suspeito de homicídios em Mulungu.Divulgação/Polícia Civil da Paraíba
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Um homem de 33 anos foi preso no domingo (13 de setembro de 2026) no município de Mulungu, localizado na região do Vale do Mamanguape, na Paraíba. A captura ocorreu após uma operação conjunta envolvendo as polícias Civil e Militar, que mobilizou equipes por cerca de 48 horas de buscas intensas na região. Além de cumprir mandados em aberto, as autoridades detiveram o suspeito em flagrante no momento em que ele tentava escapar da abordagem policial.

O caso ganhou repercussão nacional devido aos detalhes da captura e às declarações prestadas pelo investigado durante o interrogatório na delegacia. Conforme as informações divulgadas pelas autoridades de segurança pública, a prisão preventiva foi decretada após a realização da audiência de custódia. Enquanto isso, a Polícia Civil aprofunda as investigações para esclarecer o alcance real dos crimes atribuídos ao suspeito no estado.

Disfarce com peruca e criança

Durante a tentativa de fuga, o suspeito adotou um disfarce incomum para tentar burlar o cerco policial montado pelas forças de segurança. Ele vestia roupas femininas, usava uma peruca e carregava uma criança no colo no momento em que foi localizado pelas equipes policiais. A investigação confirmou posteriormente que a menina que o acompanhava não possuía nenhum grau de parentesco ou vínculo familiar com ele.

A operação bem-sucedida encerrou dois dias de diligências contínuas na zona rural e urbana do município paraibano. O histórico criminal levantado pelos investigadores aponta que o homem havia deixado o sistema prisional em maio de 2026, após cumprir cerca de cinco a seis anos de reclusão ao longo da vida. Pouco tempo depois de voltar à liberdade, novos mandados de prisão foram expedidos contra ele em decorrência de investigações em andamento.

A audácia do disfarce não foi suficiente para impedir a ação coordenada entre policiais civis e militares que monitoravam os passos do foragido. Após a autuação em flagrante, ele foi conduzido para os procedimentos legais cabíveis e permaneceu à disposição da Justiça para responder pelos crimes imputados pelas autoridades competentes.

Relato de dezenas de crimes

Em depoimento formal prestado à Polícia Civil após a detenção, o suspeito surpreendeu os investigadores ao alegar ter cometido cerca de 80 homicídios ao longo da vida. Apesar da declaração chocante do investigado, o número total de 80 mortes não possui reconhecimento oficial por parte dos órgãos de segurança pública do estado, exigindo apuração técnica aprofundada.

A polícia reúne elementos que relacionam o suspeito a 16 homicídios cometidos em, aproximadamente, três meses, principalmente na região do Vale do Mamanguape.”

Delegado Douglas Garcia

Os investigadores trabalham agora na checagem de registros de desaparecidos e inquéritos abertos para verificar a veracidade das afirmações. A polícia busca determinar se o relato reflete fatos reais ou se trata de uma tentativa de intimidar ou despistar os agentes durante o processo de interrogatório formal.

Além da cifra elevada mencionada na delegacia, o depoente afirmou aos policiais que teria cometido o seu primeiro assassinato quando tinha apenas 13 anos de idade. Esse elemento inicial de sua trajetória infracional e criminal passa a ser avaliado dentro do contexto das diligências em curso na região nordestina.

Investigação apura dezesseis mortes

Embora a cifra relatada pelo suspeito seja expressiva, a Polícia Civil concentra esforços em um conjunto sólido de evidências que o vinculam diretamente a homicídios confirmados na região. O delegado Douglas Garcia, responsável pelas investigações, aponta que existem elementos probatórios consistentes relacionando o investigado a pelo menos 16 assassinatos.

Esses crimes teriam sido perpetrados em um intervalo temporal relativamente curto, de aproximadamente três meses, com maior concentração nos municípios que compõem o Vale do Mamanguape. Entre os episódios mais graves sob apuração está um duplo homicídio que vitimou comerciantes locais no dia 1º de agosto de 2026, na cidade de Rio Tinto.

As autoridades policiais também investigam a suposta participação do suspeito na morte de uma jovem na mesma região. Segundo o andamento das apurações, o corpo da vítima foi localizado pelas equipes policiais após indicações geográficas fornecidas pelo próprio investigado durante os procedimentos de oitiva.

Próximos passos da polícia

O inquérito policial segue aberto e em ritmo acelerado para esgotar todas as linhas de investigação decorrentes da prisão e dos depoimentos. Peritos criminais analisam vestígios apreendidos e cruzam dados balísticos e de DNA para elucidar outros eventuais crimes atribuídos ao grupo ou ao próprio suspeito de forma isolada.

A colaboração entre diferentes unidades das forças de segurança tem sido fundamental para mapear a atuação criminosa na faixa litorânea e no interior do estado. Novas diligências e oitivas de testemunhas devem ocorrer nos próximos dias para consolidar o relatório final que será encaminhado ao Ministério Público.

O Poder Judiciário acompanha os desdobramentos do caso com a manutenção da prisão preventiva, garantindo a ordem pública e a integridade do processo penal. A sociedade paraibana, especialmente nos municípios afetados pela onda de violência recente, aguarda o esclarecimento completo dos fatos e a responsabilização judicial dos envolvidos.

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