Polícia Federal apreende quase R$ 1 milhão em operação contra deputado

Ação da PF cumpre mandados em Manaus e Coari, afasta prefeito e investiga esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.

Da
Redação
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Ação da Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a políticos no Amazonas.Divulgação/PF
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A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar um esquema sofisticado de fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos na administração municipal de Coari, no Amazonas. A ofensiva teve como principais alvos o deputado federal Adail Filho e o pai dele, o prefeito Adail Pinheiro, que acabou afastado do cargo por determinação judicial. Durante o cumprimento de mandados, os agentes encontraram somas expressivas de dinheiro vivo em endereços ligados aos investigados.

As equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão distribuídos entre os municípios de Manaus e Coari. Além dos documentos e equipamentos recolhidos para análise, o montante em espécie localizado chamou a atenção dos investigadores pela quantidade e forma de armazenamento. Enquanto parte do dinheiro estava oculta em cofres, outra parcela foi apreendida diretamente em locais estratégicos sob suspeita de ligação com o esquema criminoso investigado pelas autoridades competentes.

A investigação em curso teve início formal após desdobramentos de apurações anteriores que já haviam identificado movimentações financeiras atípicas e o transporte de grandes somas em espécie. O material agora recolhido passará por exames periciais detalhados para confirmar a origem dos recursos e identificar todos os beneficiários finais das quantias ocultadas no estado.

Polícia Federal apreende dinheiro vivo

Durante as diligências nas duas cidades amazonenses, os policiais federais somaram aproximadamente R$ 990,5 mil em espécie. Desse total expressivo, a maior parte, equivalente a R$ 637,75 mil, foi contabilizada em Coari. No endereço fiscalizado em Manaus, as equipes recolheram outros R$ 352,75 mil em moeda nacional, além de valores em moedas estrangeiras, totalizando US$ 10 mil e 1.255 euros.

A contabilidade dos bens apreendidos também incluiu uma frota de 21 veículos de luxo, sendo 11 automóveis apreendidos na capital e outros 10 no município do interior. Além dos carros, a corporação recolheu dezenas de itens de alto valor, como relógios de grife, braceletes, colares, brincos e anéis. As autoridades continuam analisando o material para rastrear a origem e os destinatários finais dos recursos.

Os agentes da corporação informaram que o balanço patrimonial e financeiro poderá ser atualizado conforme o avanço das análises técnicas. A contagem detalhada de todas as cédulas e valores em moeda estrangeira exigiu o emprego de equipes especializadas no apoio logístico e operacional em ambas as cidades do estado do Amazonas.

Esquema apura fraude e lavagem

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam para a atuação coordenada entre agentes públicos, empresários e terceiros com o objetivo de fraudar licitações públicas. O grupo é suspeito de desviar verbas municipais e realizar movimentações financeiras complexas destinadas ao pagamento de vantagens indevidas. Os fatos levantados até o momento indicam a prática de crimes como organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

A atual fase da operação ganhou forte impulso a partir de antecedentes investigativos que remontam a maio de 2025. Naquela ocasião, três empresários foram interceptados e flagrados transportando cerca de R$ 1,25 milhão em espécie durante um voo comercial entre Manaus e Brasília. O cruzamento desses dados com os novos elementos recolhidos permitiu fundamentar as medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

As autoridades reforçam que o direcionamento de contratos públicos e a ocultação de patrimônio constituem o núcleo central das práticas ilícitas mapeadas. A análise das provas materiais coletadas nas buscas deve subsidiar os próximos passos da persecução penal conduzida pelos órgãos competentes do Estado.

Prefeito é afastado do cargo

O afastamento de Adail Pinheiro da prefeitura de Coari foi determinado no âmbito das medidas cautelares da operação policial. A decisão visa impedir que os investigados utilizem a máquina pública para destruir provas ou interferir no andamento das apurações. O filho do prefeito, o deputado federal Adail Filho, também figura como alvo central das ordens judiciais cumpridas pelos agentes federais.

Enquanto a defesa dos políticos não se pronunciou oficialmente sobre as acusações até o momento, a corporação policial segue colhendo depoimentos e analisando os documentos apreendidos. O espaço permanece aberto para manifestações formais dos citados e de suas respectivas assessorias jurídicas acerca das suspeitas levantadas pela investigação.

O impacto institucional das medidas atinge diretamente a administração local, exigindo articulação para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população de Coari. A Justiça acompanha o desdobramento das medidas cautelares e avalia eventuais desdobramentos adicionais solicitados pelas equipes de investigação ao longo do processo.

Investigação ganha repercussão política

A deflagração da operação policial ocorre em um cenário de intensa atenção pública sobre a gestão de recursos públicos na região norte do país. O impacto político da ofensiva atinge lideranças tradicionais do estado, uma vez que a família investigada acumula mandatos e histórico de gestões na administração municipal de Coari ao longo dos últimos anos.

Especialistas em segurança pública e direito administrativo apontam que o desdobramento das investigações poderá esclarecer a extensão da rede de corrupção instalada nos contratos públicos locais. A Justiça agora analisa o material apreendido para decidir sobre novas medidas cautelares e eventual oferecimento de denúncia formal pelos órgãos de persecução penal contra os envolvidos no esquema.

Os próximos passos do inquérito policial dependem da conclusão dos laudos periciais sobre os eletrônicos, documentos e valores confiscados durante o cumprimento dos mandados. O avanço das diligências servirá para consolidar as provas sobre a materialidade e a autoria dos crimes apurados na esfera federal.

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