Polícia Federal afasta prefeito de Coari em operação no Amazonas

Operação Dinastia do Lago investiga fraudes em licitações e corrupção, cumprindo mandados contra o prefeito Adail Pinheiro e o deputado federal Adail Filho.

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Redação
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Investigadores rebatem acusação de "PF paralela"
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A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (16), a operação Dinastia do Lago com o objetivo de desarticular um esquema de crimes contra a administração pública no Amazonas. A investigação apura fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro no estado.

Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a ação resultou em medidas cautelares rigorosas na região norte do país. Entre as determinações judiciais estão o afastamento do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e de secretários municipais de suas respectivas funções públicas.

Além dos afastamentos, os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Adail Filho. Ao todo, a operação mobilizou equipes para cumprir dezenas de ordens judiciais expedidas pela Suprema Corte.

Policiais cumprem mandados e apreensões

A ofensiva policial mobilizou equipes em endereços estratégicos nos municípios de Manaus e Coari. No total, os policiais cumpriram 28 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de medidas cautelares diversas da prisão.

Durante as diligências nas residências e locais ligados aos investigados, as equipes apreenderam diversos bens de alto valor. Na casa do secretário municipal da Fazenda, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, foram encontrados veículos de luxo, coleções de relógios, joias e cerca de R$ 400 mil em espécie.

A apuração teve origem após uma apreensão de R$ 1,25 milhão no Aeroporto Internacional de Brasília, ocorrida em maio de 2025. Naquela ocasião, três empresários que desembarcaram de um voo procedente de Manaus foram abordados transportando a expressiva quantia em dinheiro vivo.

Investigadores detalham esquema licitatório

Os relatórios de inteligência elaborados pela corporação indicam a existência de uma atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e pessoas interpostas. O objetivo principal do grupo seria blindar esquemas de desvio de verbas públicas.

Segundo os elementos reunidos até o momento, empresas formalmente distintas eram utilizadas para simular concorrência em procedimentos licitatórios. Essa estratégia servia para direcionar contratações públicas e burlar os mecanismos legais de controle.

As investigações também apontam a movimentação irregular de recursos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. Os investigadores identificaram a realização de pagamentos sem causa econômica aparente para mascarar a origem ilícita do dinheiro.

Corporação apura origem das fraudes

O fio da meada que levou à operação atual começou a ser puxado no Distrito Federal, quando órgãos de controle fiscalizaram passageiros em voos domésticos. A verificação da origem daquele montante milionário direcionou o foco para contratos firmados em municípios amazonenses.

A partir daquele flagrante inicial, a Polícia Federal aprofundou o monitoramento sobre transações financeiras e vínculos societários suspeitos. O cruzamento de dados revelou um padrão recorrente de irregularidades em licitações e na execução de contratos administrativos.

Com o avanço das diligências, a corporação reuniu provas suficientes para solicitar ao STF as medidas cautelares e os mandados cumpridos nesta semana. O material apreendido agora passará por perícia para subsidiar as próximas fases do inquérito.

Autoridades conduzem novas investigações

Com o afastamento dos principais gestores municipais e a apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos, a Polícia Federal dará continuidade à análise do material coletado. O objetivo é mapear toda a extensão da rede de corrupção e identificar eventuais novos beneficiários dos desvios.

Os investigados responderão, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. O inquérito policial seguirá tramitando sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.

A prefeitura municipal foi procurada pelos canais oficiais de imprensa para prestar esclarecimentos sobre as acusações, mas não houve retorno até o encerramento desta reportagem. O espaço permanece disponível para eventuais manifestações da defesa.

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