Operação da PF mira deputado Adail Filho e prefeito de Coari

Ação autorizada pelo STF cumpre mandados de busca e apreensão no Amazonas, além de afastar o prefeito e servidores municipais

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Investigadores da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF no Amazonas.Divulgação/PF
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Dinastia do Lago para investigar suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro no município de Coari, no Amazonas. A ação é direcionada ao deputado federal Adail Filho (MDB-AM) e ao pai dele, o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos), além de secretários municipais.

A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, os agentes cumpriram 29 mandados de busca e apreensão e executaram o afastamento cautelar do prefeito e de servidores suspeitos de envolvimento no esquema investigado pelas autoridades federais.

Polícia apreende dinheiro e joias

Durante as diligências em endereços ligados aos investigados, os policiais federais encontraram pilhas de dinheiro em espécie e diversas joias de alto valor, incluindo mais de dez relógios, braceletes, colares, brincos e anéis. Até o momento, as autoridades não divulgaram o balanço total do montante em dinheiro recolhido nem a propriedade exata dos itens de luxo apreendidos na operação.

As apurações iniciais indicam a atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros. O objetivo do grupo seria o direcionamento de licitações, o desvio de verbas públicas e a realização de movimentações financeiras para ocultar a origem e os destinatários finais dos valores ilícitos.

Os fatos apurados ao longo da investigação podem configurar, em tese, crimes graves como organização criminosa, fraude à licitação, corrupção passiva e ativa, peculato e lavagem de dinheiro. As assessorias dos políticos citados foram procuradas pela reportagem, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Investigação começou em 2025

A ofensiva policial deflagrada no Amazonas tem antecedentes diretos em uma apreensão realizada no mês de maio de 2025. Na ocasião, cerca de R$ 1,25 milhão em espécie foi interceptado por equipes de fiscalização durante um voo que fazia o trajeto entre as cidades de Manaus e Brasília.

Três empresários foram flagrados transportando o montante em dinheiro vivo, o que acendeu o alerta dos órgãos de controle e impulsionou as apurações da Polícia Federal. A partir daquela ocorrência, os investigadores conseguiram traçar os indícios de um esquema estruturado para fraudar contratos públicos no interior amazonense.

A continuidade das diligências permitiu ao Supremo Tribunal Federal autorizar as medidas cautelares cumpridas nesta semana, aprofundando o cerco sobre os suspeitos de integrar o esquema de desvio de dinheiro público na administração municipal de Coari.

Prefeito é afastado do cargo

Além dos mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços residenciais e funcionais, a decisão do STF determinou o afastamento imediato do prefeito Adail Pinheiro e de servidores municipais investigados. A medida visa preservar a integridade das provas e evitar interferências na condução das apurações em curso.

A gestão municipal passa a enfrentar instabilidade administrativa com a saída do chefe do Executivo e de nomes centrais da estrutura de secretarias. As autoridades continuam analisando o material apreendido para individualizar a conduta de cada um dos investigados na rede de desvios.

As equipes da Polícia Federal seguem debruçadas sobre os documentos, dispositivos eletrônicos e valores recolhidos para mensurar o prejuízo total aos cofres públicos e identificar novos participantes do esquema criminoso.

Próximos passos da operação

Com o material recolhido durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal dará início à fase de análise detalhada de contratos, extratos bancários e mídias eletrônicas apreendidas. O objetivo é robustecer as provas já reunidas desde a deflagração da investigação em 2025.

Os relatórios parciais e finais serão encaminhados ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal para subsidiar eventuais desdobramentos processuais, denúncias formais ou novas medidas cautelares contra os alvos da operação.

A defesa dos investigados terá acesso aos autos após a fase inicial de diligências sigilosas, momento em que poderão apresentar manifestações formais sobre as acusações conduzidas pela Polícia Federal.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *