MP denuncia cinco integrantes do Comando Vermelho por assassinato de adolescente no Rio

Apuração aponta que ordem para tortura e execução partiu de liderança do tráfico na Comunidade César Maia

Da
Redação
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou a denúncia à 1ª Vara Criminal da Capital.
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça cinco integrantes do Comando Vermelho envolvidos no assassinato de um adolescente de 14 anos e na tortura de outros dois jovens, de 13 e 15 anos. A denúncia foi apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada e aceita pela 1ª Vara Criminal da Capital.

A acusação do órgão ministerial aponta que a ordem para a execução partiu diretamente de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado pelas investigações como uma das principais lideranças da organização criminosa. Além dele, respondem ao processo os denunciados Victor Tavares Vieira, Diogo Paixão Barbosa, Miguel Ferreira Salvo e Jonata da Silva Ramos.

O crime ocorreu no dia 29 de março de 2026, na Comunidade César Maia, localizada no bairro de Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ação contra os três adolescentes foi motivada por abordagens do grupo criminoso relacionadas à disputa territorial entre facções que atuam na região fluminense.

Abordagem inicial e ameaças na comunidade

Conforme as investigações detalhadas pelo MPRJ, o episódio teve início quando a vítima de 14 anos se deslocou até a localidade acompanhada de dois amigos para encontrar a namorada de um dos jovens. Durante a permanência na Comunidade César Maia, o grupo foi abordado por cerca de cinco indivíduos, aparentemente adolescentes.

Na primeira abordagem, os suspeitos questionaram a procedência dos três jovens e exigiram saber em qual bairro eles residiam. Durante a interpelação, os criminosos ameaçaram os adolescentes de morte caso ficasse constatado que eles fossem oriundos de áreas sob domínio de facções rivalizadas com o Comando Vermelho.

Após conseguirem deixar o interior da comunidade, os três amigos caminharam até um ponto de ônibus nas proximidades para deixar a região. Contudo, a tentativa de retorno foi interrompida antes que pudessem embarcar no transporte público local.

Certo no ponto de ônibus e inspeção dos aparelhos

Quando já estavam na parada de ônibus, os três rapazes foram novamente abordados, desta vez por homens armados que cercaram o local. Sob forte coerção e ameaça de armas de fogo, as vítimas foram obrigadas a retornar para o interior da Comunidade César Maia.

Uma vez conduzidos novamente para a área sob domínio do tráfico, os criminosos tomaram os telefones celulares dos jovens e iniciaram uma verificação nos aparelhos eletrônicos. O objetivo dos acusados era buscar mensagens, arquivos ou registros digitais que pudessem vinculá-los a grupos rivais.

Durante a vistoria nos dados armazenados nos aparelhos, os denunciados encontraram no telefone de um dos adolescentes uma fotografia alusiva a uma organização rival. A imagem fazia referência explícita ao Terceiro Comando Puro (TCP) e à Comunidade da Coreia.

Sessões de tortura e assassinato do jovem

A descoberta da fotografia no celular desencadeou uma sequência de agressões contra as três vítimas retidas na comunidade. Os adolescentes de 13, 14 e 15 anos foram submetidos a sucessivas e intensas sessões de violência física e de constrangimento psicológico por parte dos envolvidos.

As agressões e os atos de tortura prolongaram-se no local até culminarem na morte do adolescente de 14 anos de idade. Os outros dois jovens, de 13 e 15 anos, sobreviveram às agressões perpetradas pelo grupo denunciado pelo Ministério Público.

O caso seguiu para apuração policial e da promotoria especializada, resultando no mapeamento das condutas individuais dos acusados e no oferecimento formal da denúncia à Justiça do Rio de Janeiro.

Tipificações penais e andamento do processo

Diante dos fatos apurados no inquérito, o Ministério Público imputou aos cinco denunciados uma série de crimes graves cometidos contra as três vítimas na Zona Oeste da capital fluminense.

Os réus respondem perante a 1ª Vara Criminal da Capital pelos crimes de homicídio qualificado, associação para o tráfico de drogas, tortura, sequestro e corrupção de menores. A acusação engloba tanto a liderança que ordenou o ato quanto os executores diretos da abordagem e das agressões.

O recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário marca o início da fase processual, na qual as provas colhidas pela 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada serão analisadas pela Justiça fluminense para o julgamento dos réus.

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