A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (16/9) a Operação Alba com o objetivo de desarticular um esquema de extorsão e exploração de atividades ilícitas comandado por uma facção criminosa em Paraty, na Costa Verde fluminense. As investigações conduzidas pelas forças de segurança revelam que o grupo impunha regras severas na região turística.
Além de controlar pontos de tráfico de drogas, a organização criminosa passou a cobrar taxas ilegítimas de comerciantes locais e prestadores de serviços. Entre os principais alvos das cobranças forçadas estavam os barqueiros da região, que precisavam pagar valores ilícitos para conseguir exercer o trabalho cotidiano nas praias e pontos turísticos do município histórico.
A força-tarefa mobilizou equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital, do 5º Departamento de Polícia de Área e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os agentes cumpriram mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão em diferentes localidades, incluindo o município de Paraty, a cidade do Rio de Janeiro e Nova Iguaçu.
Policiais cumprem mandados e vistoriam presídios
Durante a mobilização policial, os investigadores cumpriram as ordens judiciais expedidas para desarticular a rede criminosa e recolher novas provas materiais. A estratégia adotada pelas autoridades buscou atingir tanto a estrutura operacional quanto a base financeira mantida pela organização na região litorânea.
Em uma segunda frente coordenada da Operação Alba, equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com o auxílio fundamental da Polícia Penal, realizaram vistorias minuciosas em unidades prisionais do estado. As buscas se concentraram nas celas dos presídios Gabriel Ferreira de Castilho e João Carlos da Silva para localizar celulares.
Os agentes procuraram aparelhos de comunicação e outros materiais ilícitos que pudessem comprovar a continuidade de ordens criminosas emitidas de dentro do sistema penitenciário. Essa etapa reforça o cerco contra lideranças que tentam comandar crimes à distância.
Justiça determina transferência para Bangu I
Como desdobramento imediato das diligências nas unidades prisionais, três custodiados identificados pela investigação foram transferidos para a Penitenciária de Segurança Máxima Bangu I. A medida drástica foi cumprida por determinação judicial expressa para isolar os líderes.
A ação no sistema prisional integra uma diretriz permanente das forças de segurança fluminenses para asfixiar lideranças que mantêm influência sobre o tráfico e a extorsão nas ruas. Dessa forma, o poder público tenta cortar a comunicação entre detentos e operadores da facção no litoral.
Paraty, reconhecida internacionalmente como patrimônio da humanidade, tem sido alvo recente de tentativas de expansão territorial por parte de facções criminosas. A resposta policial busca justamente barrar a consolidação dessas rotas ilícitas no interior fluminense.
Forças de segurança visam asfixiar facção
A operação conjunta evidencia a integração entre a Polícia Civil e os órgãos de controle ministerial no combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Enquanto a polícia atua na linha de frente ostensiva e investigativa, o Ministério Público monitora o fluxo financeiro.
O impacto econômico das extorsões sobre trabalhadores locais gerou forte preocupação entre as autoridades competentes. Barqueiros e comerciantes viviam sob constante ameaça de represálias caso recusassem o pagamento das taxas ilegítimas exigidas pelos criminosos.
A desarticulação desses núcleos operacionais pretende devolver a tranquilidade econômica e social aos moradores e profissionais que dependem do turismo na Costa Verde. As investigações prosseguem agora com a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados.
Investigações continuam após operação policial
Com o encerramento da primeira fase ostensiva da Operação Alba, a Polícia Civil e o Gaeco passam a analisar os documentos, dispositivos eletrônicos e demais vestígios recolhidos nos endereços alvos. O material servirá para robustecer os inquéritos em curso.
Novas denúncias de comerciantes e moradores da região podem surgir com o enfraquecimento do grupo criminoso e a prisão dos principais operadores locais. As autoridades mantêm canais abertos para receber informações sigilosas sobre a atuação da facção.
O avanço das investigações também deve apontar se há ramificações da rede de extorsão em municípios vizinhos da região sul do estado. A Operação Alba busca atingir as estruturas operacional e financeira do grupo e interromper as atividades criminosas relacionadas à atuação do Comando Vermelho em Paraty.


