A ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva, classificou como deplorável a recente sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Durante entrevista ao programa Agora Metrópoles, a ex-ministra afirmou que as denúncias reveladas contra integrantes da Corte são graves e exigem investigação rigorosa por parte dos órgãos competentes.
Para Marina, o embate entre magistrados e a exposição de mensagens e processos geram um desgaste institucional profundo que atinge a credibilidade da Justiça brasileira. A ex-ministra ressaltou que a Suprema Corte representa a última instância para a reparação de injustiças, o que torna o cenário atual ainda mais preocupante para a sociedade.
Críticas ao Supremo e afastamento
Durante a entrevista, Marina defendeu o afastamento temporário de Alexandre de Moraes para que ele possa responder às acusações fora do exercício da função. A medida, segundo ela, preservaria a imagem da Corte diante das denúncias que envolvem magistrados em episódios recentes.
A ex-ministra também cobrou explicações do ministro André Mendonça sobre a condução dos processos sob sua responsabilidade. Ela apontou uma atuação que considera seletiva na divulgação de informações e na retirada de sigilos relacionados aos casos em andamento.
De fato, ontem foi um dia deplorável no nosso país, porque a Suprema Corte é a última instância em que o cidadão e a cidadã têm a esperança de que todas as injustiças anteriores possam ser reparadas.”
Marina Silva
Elogio à ministra Cármen Lúcia
Em meio às críticas direcionadas a outros integrantes da Corte, Marina elogiou a postura adotada pela ministra Cármen Lúcia durante a sessão. A única mulher no colegiado pediu desculpas à população em nome do tribunal devido à decepção generalizada da opinião pública.
Para a ex-ministra, a atitude demonstrou respeito institucional, mesmo que Cármen Lúcia não tivesse responsabilidade direta sobre os fatos em questão. Na avaliação de Marina, a conduta refletiu a preocupação de preservar a integridade do Judiciário perante os cidadãos.
Impacto no debate eleitoral
Marina avaliou ainda que a crise institucional vivenciada pelo Supremo Tribunal Federal acabou por sequestrar o debate eleitoral em curso. Segundo a pré-candidata, temas fundamentais para o país acabaram deixados em segundo plano nas discussões das campanhas.
Assuntos urgentes como saúde, educação, segurança pública, violência contra a população negra e propostas para reformas estruturais teriam perdido espaço para a cobertura diária dos atritos entre magistrados, empobrecendo o processo democrático.
Críticas à gestão paulista
No âmbito estadual, a pré-candidata ao Senado criticou a privatização da Sabesp e apontou falhas na resposta do governo de São Paulo a eventos climáticos extremos. Ela destacou também o aumento nos índices de violência contra as mulheres no estado.
Além disso, Marina responsabilizou a família Bolsonaro pela articulação do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, afirmando que a medida retirou bilhões da economia paulista e prejudicou setores produtivos importantes, como calçados e café.


