
A influenciadora digital Evellyn Dantas Lima, de 46 anos, foi executada a tiros na madrugada desta quarta-feira (16/9) em Mãe do Rio, município localizado no nordeste do Pará. O crime ocorreu por volta das 3h30 na residência da vítima, situada no bairro São Francisco. A mulher estava em liberdade provisória havia poucos dias após ser detida em julho durante investigações sobre a morte de um policial militar.
De acordo com os levantamentos iniciais da Polícia Civil e da Polícia Militar, dois homens encapuzados invadiram o imóvel após renderem o pai de Evellyn. Em seguida, os criminosos arrastaram a vítima até a calçada da entrada da residência e efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Na fachada da casa, os suspeitos deixaram uma pichação com a sigla TCP, que faz referência à facção criminosa Terceiro Comando Puro.
Invasão e execução na residência
O ataque violento mobilizou as forças de segurança estaduais, que isolaram imediatamente a área para o início da perícia técnica. Além dos tiros que vitimaram a influenciadora, a marca deixada na parede externa intrigou as autoridades locais. A polícia investiga se a pichação reflete a presença real da facção criminosa na região nordeste paraense ou se foi utilizada apenas para despistar a autoria.
A dinâmica relatada pelas testemunhas aponta para uma ação planejada e rápida. Enquanto um dos invasores controlava o familiar da vítima, o outro executava a retirada forçada para a parte externa. A rigor, diligências continuam sendo realizadas para identificar os executores materiais do homicídio e eventuais mandantes do crime.
Antes de sua primeira prisão, Evellyn acumulava mais de 20 mil seguidores em suas redes sociais, onde publicava rotineiramente conteúdos sobre viagens, beleza e cotidiano. O perfil oficial acabou desativado após a repercussão negativa gerada entre os moradores da cidade devido ao seu suposto envolvimento no assassinato do militar.
Prisão anterior e investigação
A influenciadora havia sido capturada no final de julho de 2026 durante uma operação policial deflagrada contra suspeitos de envolvimento na morte do sargento da reserva da Polícia Militar Antônio Anildo Alves. Na ocasião, as equipes policiais efetuaram a prisão em flagrante por tráfico de drogas após encontrarem porções de entorpecentes e carregadores de arma de fogo com ela.
O sargento Antônio Anildo Alves foi morto a tiros por quatro homens encapuzados que invadiram um supermercado na mesma região. Os criminosos chegaram ao estabelecimento comercial em um veículo, abriram fogo contra o militar e fugiram em seguida. A investigação apontava que Evellyn teria prestado apoio logístico aos criminosos envolvidos naquela ação.
Apesar de ter sido autuada em flagrante e mantida sob custódia temporária, a Justiça concedeu a liberdade provisória recentemente. Com isso, ela respondia ao processo fora do sistema prisional até ser surpreendida pelo ataque na madrugada desta quarta-feira em sua residência.
Diligências e busca por suspeitos
A Secretaria de Segurança Pública do Pará mobilizou equipes especializadas para esclarecer todas as circunstâncias da morte da influenciadora. A linha principal apura se o assassinato tem conexão direta com a morte do sargento da reserva ou se decorre de disputas territoriais ligadas ao tráfico de drogas e facções criminosas na região.
A perícia criminal recolheu estojos de munição e analisou vestígios deixados na fachada e no interior do imóvel. Até o momento, nenhum suspeito foi preso pelos disparos e pela invasão domiciliar, mas os investigadores analisam imagens de câmeras de segurança de imóveis vizinhos para traçar a rota de fuga dos criminosos.
As autoridades reforçaram o policiamento no município para evitar novos confrontos ou retaliações decorrentes da tensão gerada pelos homicídios recentes. A população pode colaborar com informações anônimas por meio dos canais oficiais de denúncia disponibilizados pela polícia estadual.
Contexto da violência regional
O município de Mãe do Rio tem registrado episódios de violência urbana que preocupam as autoridades de segurança pública do estado. A entrada de siglas ligadas a facções originárias do Sudeste brasileiro no interior paraense é um dos fatores monitorados pelas agências de inteligência nos últimos meses.
A morte de policiais militares e de pessoas investigadas por conexões com esses grupos armados evidencia a complexidade do cenário de criminalidade na região nordeste do Pará. As polícias Civil e Militar intensificaram operações conjuntas para desarticular células criminosas e cumprir mandados de prisão em aberto.
Enquanto o inquérito policial avança, o corpo da influenciadora foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para a realização de exames necroscópicos. A família acompanha os desdobramentos das investigações na delegacia local, onde novos depoimentos devem ser tomados nos próximos dias.


