O governo de Belarus concordou em libertar 25 prisioneiros após a celebração de um acordo provisório anunciado nesta quarta-feira (16) pelo enviado especial dos Estados Unidos, John Coale. O entendimento integra o esforço diplomático de Washington para pressionar o presidente Aleksandr Lukashenko a libertar centenas de ativistas, jornalistas e opositores em troca da redução do isolamento internacional de Minsk.
As tratativas em curso representam uma tentativa de reabrir canais de negociação direta entre os dois países. Embora o montante de solturas anunciado neste momento seja inferior ao registrado em etapas anteriores do diálogo, o pacto assegura alívio financeiro para companhias ligadas ao estado bielorrusso.
Segundo o emissário norte-americano, os dois governos pretendem manter as conversações ativas nos próximos dias para viabilizar novos passos. A intenção declarada é buscar a soltura de mais detidos e a retirada gradual de outras restrições comerciais impostas pela diplomacia do país norte-americano.
EUA suspendem restrições contra empresas estatais
Em contrapartida à soltura dos 25 prisioneiros, os Estados Unidos concordaram em suspender as sanções aplicadas contra duas importantes companhias bielorrussas. A medida beneficia a Lakokraska, especializada na fabricação de tintas e revestimentos industriais, e a Bellesbumprom, estatal que supervisiona os setores florestal, de papel e celulose.
As sanções contra a Lakokraska vigoravam desde 2008, enquanto as restrições ao grupo Bellesbumprom haviam sido implementadas em 2023. O fim temporário do bloqueio permite que as organizações retomem operações e transações comerciais anteriormente vedadas pelo mercado norte-americano.
Durante as reuniões em Minsk, o enviado de Washington também prometeu intermediar a liberação de ativos bielorrussos congelados no sistema bancário dos Estados Unidos. Os valores bloqueados somam dezenas de milhões de dólares e dependem de acertos burocráticos para serem devolvidos.
Até o momento, o volume de solturas acertado nesta rodada ficou abaixo do pacto negociado em março de 2026, quando Lukashenko aceitou soltar 250 pessoas após contatos diretos com a missão americana.
Devemos aproveitar todas as oportunidades para salvar vidas. Mas não devemos confundir libertações com mudanças políticas.”
Sviatlana Tsikhanouskaya
Famílias recebem aviso sobre início dos indultos
O grupo de direitos humanos Viasna informou que uma nova sequência de indultos oficiais começou a ser executada nas colônias penais do país. Parentes de diversos detidos foram orientados por autoridades a comparecer aos estabelecimentos prisionais durante a manhã de quarta-feira para receber os familiares libertados.
As atenções da entidade voltam-se para o cumprimento integral dos termos acordados entre os diplomatas dos dois países. A organização ressalta que o ritmo das solturas varia conforme as decisões administrativas adotadas pelo governo central de Minsk.
Mesmo com as concessões pontuais, organizações não governamentais salientam que a quantidade de beneficiados nesta etapa é modesta perto da população carcerária enquadrada por razões políticas. O monitoramento independente prossegue acompanhando a situação em diferentes regiões do país.
Lukashenko nega manter detidos por razões políticas
Durante os encontros com emissários dos Estados Unidos na terça-feira (15), o presidente Aleksandr Lukashenko voltou a rejeitar a tese de que mantenha presos políticos em seu território. O líder bielorrusso também rebatia acusações relativas à realização de novas detenções sistemáticas para recompor as vagas dos indultados.
Estimativas apresentadas pela Viasna indicam que o país ainda mantém mais de 900 pessoas presas sob acusações de conotação política. Entre os enquadramentos mais recorrentes citados pela entidade estão a prática de atividades extremistas, a conspiração para tomada do poder, a incitação ao ódio e o insulto à figura do chefe de Estado.
A repressão continuada a opositores e veículos de comunicação independentes tem sido o principal fator de atrito nas relações internacionais do governo bielorrusso com potências ocidentais nos últimos anos.
Esvaziar prisões deve ser prioridade, diz oposição
A líder oposicionista no exílio, Sviatlana Tsikhanouskaya, ponderou que o salvamento de vidas humanas por meio de acordos diplomáticos é um passo relevante, mas salientou que tais iniciativas não representam reformas políticas reais no país. Em declarações à imprensa, ela lembrou que a estrutura de repressão do regime segue ativa e que o governo local mantém apoio irrestrito às ações militares da Rússia na Ucrânia.
Para a dirigente da oposição, o foco das nações ocidentais deve permanecer na desocupação completa dos estabelecimentos prisionais e não na reabilitação internacional do regime de Lukashenko. Ela alertou que o alívio das sanções sem garantias institucionais pode prolongar a permanência do governo autoritário no poder.
As investidas diplomáticas conduzidas pelos enviados americanos já resultaram anteriormente na libertação de figuras proeminentes, como o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Ales Bialiatski, além de diversos ativistas e jornalistas de renome internacional.


