Uma sindicância do Banco Central apontou indícios de repasses e de simulação de negócios jurídicos envolvendo os ex-servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves, que atuavam no Departamento de Supervisão Bancária. A apuração interna investigou possível favorecimento ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo as informações atribuídas à sindicância, as operações ligadas aos dois ex-servidores superariam R$ 14 milhões. O detalhamento apresentado, porém, cita R$ 4 milhões para Belline e R$ 8 milhões para Paulo Sérgio, soma de R$ 12 milhões. Ambos foram afastados em janeiro de 2026, depois de a diretoria do BC tomar conhecimento das irregularidades investigadas.
Sindicância apura repasses aos ex-servidores
A investigação interna relaciona Belline Santana a recebimentos que, conforme a sindicância, teriam sido encobertos por contratos de consultoria. O procedimento aponta indícios de que os contratos teriam simulado a prestação de serviços para ocultar recursos recebidos indevidamente.
Entre outubro de 2023 e outubro de 2024, Belline teria recebido seis parcelas de R$ 500 mil, segundo o levantamento. Depois, o documento menciona dez parcelas de R$ 100 mil, pagas entre março e dezembro de 2025.
Assim, os pagamentos descritos para Belline alcançam R$ 4 milhões. Ao BC, ele declarou que trabalhou na elaboração de um projeto de inclusão de jovens na indústria financeira e que também participou de um podcast. Segundo sua versão, os valores constaram em sua declaração anual de Imposto de Renda.
Documento descreve negócios atribuídos a Paulo
No caso de Paulo Sérgio Neves, a sindicância aponta supostas simulações na compra e venda de imóveis. A apuração associou essas operações ao relacionamento do ex-servidor com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
O documento também menciona receitas ligadas a uma lavoura de café. Na avaliação registrada pela comissão, esses negócios teriam servido para dar aparência de legitimidade a recursos sob investigação.
Os valores e operações citados pela sindicância para Paulo Sérgio incluem a venda de um sítio, ressarcimentos por aparelhos de ginástica, a venda de outro imóvel e rendimentos declarados no setor cafeeiro.
O quadro abaixo organiza os negócios e pagamentos mencionados na apuração interna.
| Operações citadas para Paulo Sérgio | |
|---|---|
| Operação | Valor |
| Venda do sítio em Guaxupé (MG), em janeiro de 2020 | R$ 5,2 milhões |
| Ressarcimentos por aparelhos de ginástica, em janeiro de 2024 | R$ 145 mil e R$ 131,1 mil |
| Venda de imóvel em Guaxupé (MG) | R$ 1,5 milhão |
| Rendimentos apontados no setor cafeeiro | R$ 1 milhão |
Sobre os rendimentos de café, a sindicância cita R$ 500 mil pagos a Paulo Sérgio e outros R$ 500 mil repassados ao irmão dele. A comissão apontou indícios de uso do irmão como intermediário nas operações examinadas.
Ex-servidor apresenta sua versão ao BC
Paulo Sérgio declarou ao Banco Central que não sabia que Fabiano Zettel era cunhado de Daniel Vorcaro. Segundo sua versão, ele tomou conhecimento do parentesco um ano depois, durante a escrituração do imóvel.
Em relação aos valores ligados ao café, o ex-servidor afirmou que o comprador do sítio desistiu de um projeto de loteamento. Ele disse ainda que, com a melhora do mercado de café, seu irmão passou a arrendar o mesmo sítio pertencente ao cunhado de Vorcaro.
Paulo Sérgio também declarou que os valores foram informados em sua declaração anual de Imposto de Renda. As versões apresentadas pelos dois ex-servidores integram o contexto analisado na sindicância administrativa.
BC afasta servidores e caso avança
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves exerciam funções no Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. A área atua na supervisão de instituições financeiras.
O afastamento dos dois ocorreu em janeiro de 2026. A medida foi tomada após a diretoria da autoridade monetária tomar conhecimento das irregularidades sob apuração.
A sindicância foi instaurada para examinar a conduta dos ex-servidores diante de suspeitas de favorecimento ao Banco Master. Paralelamente, a investigação da Polícia Federal mencionada no caso indica que os dois teriam prestado uma espécie de consultoria informal a Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas.


