Mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pela Polícia Federal mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. Os arquivos com as conversas foram encaminhados a ministros da Corte para análise do acervo obtido durante as investigações.
Os diálogos foram travados entre Daniel Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, nos meses de julho e agosto de 2025. O conteúdo indica a operacionalização de repasses financeiros que não eram realizados de maneira direta, mas sim com o intermédio de uma empresa de consultoria sediada no estado do Piauí.
As investigações buscam esclarecer a extensão das tratativas e a finalidade dos valores citados na troca de mensagens entre o fundador da instituição financeira e o executivo do setor jurídico.
Polícia Federal identifica mensagens sobre repasses
Nas conversas registradas em julho de 2025, Luiz Rennó enviou a Daniel Vorcaro o contato de Kevin Marques com questionamentos sobre a manutenção de remessas mensais fixadas em R$ 500 mil. O fundador do Banco Master respondeu à mensagem do diretor com risos, sem contestar o teor do envio nem o valor mencionado pelo executivo.
Em agosto do mesmo ano, o ex-diretor jurídico voltou a tratar do assunto ao listar as pendências financeiras consideradas essenciais pela instituição. Rennó afirmou que faltava apenas a quitação da consultoria sob sua responsabilidade e repassou novamente o contato do filho do magistrado para a continuidade dos procedimentos.
A documentação aponta que os repasses citados nos diálogos eram vinculados a contratos mantidos com a Consult Inteligência Tributária. A Polícia Federal analisa os registros de comunicação para detalhar a dinâmica de liberação dessas quantias dentro da estrutura do banco.
Coaf aponta repasses milionários a consultoria
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. As movimentações registradas pelo órgão fiscalizador foram classificadas como incompatíveis com o porte e o perfil operacional da empresa de consultoria.
A firma sediada no Piauí tem como proprietário o empresário Francisco Craveiro de Carvalho Junior. Ele é pai de Gabriel Campelo de Carvalho, identificado como sócio de Kevin Marques no Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT).
Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção”
Kassio Nunes Marques, ministro do STF
As análises financeiras oficiais integram o conjunto de provas recolhidas sobre a triangulação de recursos entre a instituição privada e os prestadores de serviços vinculados aos investigados.
Nunes Marques nega pagamentos e declara impedimento
Após a divulgação dos dados e o envio dos arquivos aos integrantes do STF, o ministro Kassio Nunes Marques declarou seu impedimento para atuar em julgamentos que envolvem o Banco Master. A manifestação ocorreu no plenário da Corte durante a análise de procedimentos vinculados ao caso.
Em sua declaração pública durante a sessão plenária, o magistrado afirmou que não possui vínculos com a instituição financeira e ressaltou que jamais julgou causas relativas ao banco comercial no tribunal.
O ministro garantiu que seu filho nunca manteve relação profissional ou prestou serviços para o Banco Master. Ele ressaltou que o advogado jamais recebeu remuneração da empresa, assegurando sua total isenção diante dos fatos apurados.
Para sintetizar os dados financeiros investigados e o posicionamento oficial dos citados, a tabela abaixo apresenta os dados principais apurados pelas autoridades.
| Resumo das movimentações e declarações sobre o caso | ||
|---|---|---|
| Envolvido ou Empresa | Valor Mencionados | Situação e Apuração |
| Consult Inteligência Tributária | R$ 6,6 milhões | Recebidos do Banco Master segundo dados do Coaf |
| Kevin Marques (citação) | R$ 500 mil mensais | Mencionado em mensagens entre executivos do banco |
| Kassio Nunes Marques | Nenhum valor | Nega serviços do filho ao banco e declarou impedimento |
Fonte: Relatórios do Coaf e declarações ao STF
Material cita encontros em São Paulo
Além das menções a transferências bancárias, os arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro contêm diálogos sobre a organização de encontros sociais privados na cidade de São Paulo. Registros de fevereiro de 2025 indicam conversas entre o empresário e uma interlocutora identificada como Rayanna para a definição do local de reuniões no bairro Itaim Bibi.
Nos relatórios da Polícia Federal, constam mensagens gravadas em que a mulher cobra o pagamento por serviços prestados por uma acompanhante durante um desses eventos. Em resposta à cobrança enviada por mensagem, o banqueiro solicitou os dados bancários para a realização do depósito solicitado no valor de R$ 10 mil.
As autoridades policiais mantêm a análise das mídias e registros digitais apreendidos para mapear a rede de contatos mantida pela cúpula do Banco Master com agentes públicos e outros intermediários durante o período investigado.


