O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (15) que nenhuma pessoa sob suspeita ou alvo de acusação pode escapar de um julgamento no Supremo Tribunal Federal. A manifestação ocorreu durante entrevista concedida ao Jornal da Record, momento em que o chefe do Executivo comentou as apurações e discussões na corte envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no âmbito do caso Banco Master.
A sabatina foi conduzida ao vivo pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro, integrando a série de entrevistas da emissora com candidatos à Presidência da República. Durante a transmissão, o mandatário cobrou rigor na apuração das denúncias e destacou que o tribunal deve examinar todos os elementos disponíveis sem conceder distinções ou exceções aos citados.
Ao tratar dos procedimentos internos do Judiciário, o presidente sustentou que os fatos apurados precisam alcançar transparência total perante a sociedade. Para o chefe do Executivo, o esclarecimento completo das suspeitas é fundamental para a credibilidade do processo legal.
Presidente cobra apuração rigorosa de relator
Durante a entrevista, o presidente afirmou que o ministro Edson Fachin, relator dos procedimentos no tribunal superior, dispõe de todos os elementos necessários para conduzir as investigações de forma aprofundada. O chefe do Governo comentou que o magistrado possui a condução do caso para abrir as informações essenciais e identificar eventuais responsabilidades.
O titular do Planalto declarou que as apurações devem avançar para determinar a participação de cada um dos nomes mencionados nas suspeitas. Em sua avaliação, o devido processo legal deve ser aplicado integralmente para responsabilizar quem tiver cometido irregularidades.
O mandatário ressaltou a necessidade de dar segmento às averiguações sem restrições. Ele reiterou que a condução dos trabalhos no Supremo precisa examinar todo o conjunto probatório com o objetivo de punir aqueles que tiverem a culpabilidade comprovada ao final do processo.
A postura defendida pelo presidente enfatiza a igualdade perante a lei. Segundo o chefe do Executivo, a atuação do Poder Judiciário deve demonstrar rigor em todas as instâncias e perante qualquer autoridade investigada.
Defesa da abertura de sigilos telefônicos
O presidente também defendeu abertamente a retirada do segredo de justiça de dados sigilosos relacionados aos procedimentos sob análise na corte. Ele argumentou que as informações mantidas em sigilo sob a responsabilidade do ministro André Mendonça deveriam vir a público para o conhecimento da sociedade brasileira.
De acordo com o presidente, a divulgação dos registros permitiria esclarecer com exatidão quem são os envolvidos nas negociações investigadas. Ele ressaltou que a transparência dos dados telefônicos é um passo importante para afastar dúvidas sobre o papel de cada agente público citado no caso.
A cobrança pela abertura das informações ocorreu no contexto do debate sobre os limites e a publicidade dos atos processuais no tribunal. Para o mandatário, a população tem o direito de saber quais pessoas mantiveram contatos e conexões com o objeto das apurações em andamento.
Com a divulgação dos dados, o chefe do Executivo avalia que o esclarecimento será mais célere. Ele defendeu que a publicidade das provas é o caminho adequado para garantir a lisura dos procedimentos judiciais.
Ausências e trégua nas investigações
Na mesma sabatina, o presidente fez menção à postura dos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques na condução das votações referentes ao caso. Toffoli declarou-se suspeito, enquanto Nunes Marques alegou impedimento legal para participar das deliberações sobre os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes.
O chefe do Poder Executivo defendeu que o processo de apuração não deve sofrer interrupções ou condescendência. Na visão do presidente, as investigações precisam ser conduzidas com amplitude, alcançando todos os alvos sem qualquer tipo de trégua ou diferenciação.
A manifestação cobrou empenho total dos órgãos de controle e dos magistrados da corte. O presidente reiterou que a imparcialidade das apurações depende de um exame irrestrito de todas as condutas sob suspeita.
A análise presidencial apontou para a relevância de se manter a isonomia nos julgamentos. O chefe do Governo frisou que a apuração irrestrita é a única garantia de justiça para a sociedade.
Julgamento suspenso no plenário do STF
A análise dos procedimentos pelo plenário do Supremo Tribunal Federal foi suspensa nesta terça-feira (15) após o ministro Flávio Dino apresentar um pedido de vista dos autos. A interrupção travou a conclusão do julgamento que definia os rumos da tramitação das apurações internas.
Antes da paralisação provocada pela vista, a votação registrava o placar de quatro votos a três a favor da tramitação separada dos casos que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A contagem refletia a divergência interna sobre a forma de conduzir os processos correlacionados ao caso Banco Master.
Devido às declarações formais de suspeição de Dias Toffoli e de impedimento por parte de Kassio Nunes Marques, ambos os magistrados não integraram o painel de votação. A composição reduzida marcou a apreciação do tema até a suspensão da sessão.
O andamento da matéria no tribunal fica agora pendente da devolução dos autos por parte de Flávio Dino para a retomada do julgamento em plenário. A expectativa no meio jurídico gira em torno de quando o caso voltará à pauta de deliberações da corte.


