Epidemia de Ebola no Congo ainda cresce, apesar de sinais de desaceleração

ONU e OMS afirmam que resposta apresenta avanços, mas alertam que ainda é cedo para dizer que o pico foi superado

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ONU e OMS afirmam que resposta apresenta avanços, mas alertam que ainda é cedo para dizer que o pico foi superadoReuters
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A epidemia de Ebola no Congo continua grave e ainda cresce em algumas regiões, apesar de sinais de desaceleração apontados pelo governo. Autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) fizeram o alerta nesta terça-feira (15), em coletiva em Genebra.

Dados divulgados pelo governo da República Democrática do Congo registram 7.258 casos confirmados e 3.510 mortes em sete províncias. Enquanto equipes atuam para conter a transmissão no leste do país, as avaliações sobre a evolução do surto ainda pedem cautela.

Resposta avança em parte do país

Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o Ebola, afirmou que os esforços de contenção começam a apresentar resultados. No entanto, ele ressaltou que o avanço não ocorre de maneira uniforme nas áreas atingidas.

Segundo Harneis, algumas regiões mostram progresso, mas outras ainda registram aumento no número de casos. Por isso, a ONU avalia que a epidemia permanece de grandes proporções e exigirá meses até ser controlada.

O surto é o segundo mais letal já registrado, de acordo com as autoridades. A epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 continua como a mais mortal entre as mencionadas.

OMS pede cautela sobre o pico

Questionado sobre a possibilidade de a epidemia ter chegado a um ponto de virada, Olivier le Polain, representante da OMS, evitou confirmar que o pico da transmissão ficou para trás. A posição da organização considera a persistência do crescimento em parte das áreas afetadas.

Embora esses resultados sejam encorajadores, eles não podem nos levar a baixar a guarda.”

Samuel Roger Kamba, ministro da Saúde da República Democrática do Congo

A OMS considera prematuro afirmar com segurança que a epidemia já superou seu pico. Dessa forma, os sinais locais de melhora ainda não permitem uma conclusão sobre o conjunto do surto.

A avaliação da OMS é mais cautelosa que a leitura divulgada pelo governo congolês no sábado (12). O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, relatou indicadores que, segundo ele, mostram desaceleração gradual da transmissão.

Casos diários caem desde agosto

Kamba situou o pico da transmissão em meados de agosto. Desde então, segundo o ministro, o número diário de novos casos caiu de aproximadamente 120 para cerca de 80.

Ele também informou que 10 das 62 zonas de saúde afetadas estavam havia mais de 22 dias sem registrar novos casos. O dado foi apresentado pelo governo como mais um sinal positivo do trabalho realizado em campo.

Na avaliação do ministro, os resultados indicam que a estratégia de resposta começou a alterar a curva de transmissão. Ainda assim, ele defendeu a manutenção integral da mobilização contra a doença.

Mobilização continua necessária

O balanço oficial divulgado nesta terça-feira reúne milhares de casos confirmados e mortes em sete províncias. Assim, mesmo com a redução relatada nos novos registros diários, a epidemia continua associada a uma elevada mortalidade.

A diferença entre as declarações não elimina os sinais de avanço citados pelo governo. Ela mostra, porém, que ONU e OMS consideram insuficiente tratar a melhora observada em parte das zonas de saúde como encerramento da emergência.

A orientação comum é manter as ações de resposta. Para as autoridades, os resultados recentes são encorajadores, mas não justificam reduzir a vigilância e o controle da transmissão.

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