O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira (15) que o país não pretende correr para fechar um acordo comercial com os Estados Unidos. Em discurso a investidores em Toronto, ele disse que Ottawa espera pelas condições adequadas e quer sair da disputa tarifária com uma economia mais resiliente e independente.
A posição ocorre em meio às tensões provocadas pelas tarifas americanas e por declarações do presidente Donald Trump sobre transformar o Canadá no 51º estado dos EUA. Carney também anunciou que o governo buscará investimento privado na operação dos quatro maiores aeroportos canadenses por meio de concessões de longo prazo.
Carney descarta acordo apressado
Carney disse que Canadá e Estados Unidos continuarão sendo vizinhos. No entanto, afirmou que a relação entre os dois países funciona quando há uma parceria que respeite tradições e soberania.
Segundo o primeiro-ministro, Ottawa está disposta a aguardar um momento mais favorável para uma negociação. A estratégia, portanto, não prevê aceitar um entendimento rápido apenas para encerrar a tensão comercial.
Ele sustentou que o país deve aproveitar o período para reforçar sua autonomia econômica. A declaração foi feita no Canada Investment Summit, diante de centenas de investidores globais reunidos em Toronto.
Comércio segue majoritariamente sem tarifas
Apesar do conflito, Carney afirmou que cerca de 80% do comércio entre Canadá e Estados Unidos continua livre de tarifas. O dado indica que a maior parte dos fluxos comerciais bilaterais permanece fora das medidas tarifárias mencionadas no discurso.
O primeiro-ministro declarou haver espaço para um arranjo que beneficie os dois lados. Ainda assim, vinculou essa possibilidade ao momento em que as condições para um entendimento estiverem presentes.
Cerca de 80% do comércio entre Canadá e Estados Unidos segue livre de tarifas, segundo Mark Carney.
Tarifas ampliam tensão bilateral
Trump tem usado tarifas para pressionar parceiros comerciais e incentivar empresas a transferirem produção e investimentos para os Estados Unidos. Essa política elevou a tensão na relação com o Canadá.
Quando essas oportunidades voltarem, o Canadá será um parceiro ainda melhor – mais forte, mais resiliente, mais independente”
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá
Além das medidas comerciais, Trump mencionou repetidamente a ideia de tornar o Canadá o 51º estado americano. Carney não citou diretamente o presidente dos EUA durante o discurso.
Ainda assim, o premiê canadense criticou uma visão transacional e de soma zero nas relações econômicas internacionais. Para ele, esse tipo de abordagem substitui relações duradouras por negociações pontuais.
Governo promete reforçar autonomia
Carney argumentou que integração econômica e soberania nacional estão cada vez mais em tensão. Por isso, disse que países interessados em preservar a independência precisam cooperar com parceiros alinhados.
O premiê também afirmou que a reputação canadense como parceiro confiável e previsível ganha valor em um ambiente internacional marcado por relações mais transacionais. A fala associa a estratégia comercial à defesa de previsibilidade nas parcerias.
Para Carney, o Canadá poderá se apresentar como um parceiro mais preparado quando houver novas oportunidades de cooperação. A mensagem foi direcionada a investidores reunidos no evento em Toronto.
Aeroportos devem atrair capital privado
O governo canadense pretende buscar investimentos privados por meio de concessões de longo prazo para operar os quatro maiores aeroportos do país. A propriedade das terras e dos ativos, porém, deverá permanecer pública.
Segundo Carney, a iniciativa pode levantar dezenas de bilhões de dólares. Os recursos seriam reinvestidos em transporte e em outras obras de infraestrutura.
A proposta foi apresentada junto da defesa de uma economia canadense mais forte. Dessa forma, o plano aeroportuário aparece como parte da busca por ampliar investimentos em infraestrutura.
Premiê leva discurso à Europa
Após participar do encontro com investidores, Carney viaja para a Europa ainda nesta terça-feira. A agenda inclui um discurso no Parlamento Europeu.
A viagem ocorre enquanto o governo canadense discute sua posição diante da guerra comercial com os Estados Unidos. O discurso em Toronto indicou que Ottawa procura combinar abertura a investimentos e defesa de soberania.
Ao tratar da relação com Washington, Carney afirmou que o Canadá estará pronto quando chegar o momento de negociar. A expectativa do governo é alcançar, então, uma parceria de benefício mútuo.


