O resgate de um militar dos Estados Unidos no Irã, após a queda de um caça F-15 em abril, envolveu forças especiais, agentes de inteligência e centenas de integrantes das forças americanas, segundo relato do oficial resgatado. Identificado pelo codinome “Bravo”, ele deu detalhes da operação em entrevista exibida no domingo.
“Bravo” era oficial de sistemas de armas da aeronave e sobreviveu à ejeção, mas sofreu ferimentos graves. Enquanto o piloto foi retirado pouco depois da queda, o segundo tripulante permaneceu em território iraniano até ser encontrado cerca de 50 horas mais tarde.
Queda deixa militar gravemente ferido
O avião foi atingido, e o paraquedas de “Bravo” sofreu danos durante a ejeção, conforme o relato do militar. Na queda livre, ele tentou abrir ou puxar partes do equipamento para sobreviver.
O oficial relatou fraturas na coluna, em um braço e em um ombro. Ele também teve torção no tornozelo e ferimentos com sangramento na cabeça e no rosto.
Apesar das lesões, o militar conseguiu se deslocar após chegar ao solo. A condição física dele passou a ser um fator adicional na tentativa de escapar das forças iranianas que se aproximavam da área.
Tripulante evita forças iranianas
Depois de ejetar, “Bravo” subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros de altitude. Ele levava uma pistola, um dispositivo de comunicação e um sinalizador de localização.
O militar afirmou que buscou um ponto que oferecesse proteção antes de tentar estabelecer contato. Em seguida, permaneceu sozinho e escondido em uma fenda na montanha durante parte da espera pelo resgate.
O segundo tripulante foi localizado cerca de 50 horas após a queda da aeronave. Segundo o relato, essa permanência ocorreu enquanto as equipes americanas tentavam chegar à sua posição.
Resgate mobiliza forças especiais
A operação reuniu centenas de militares e agentes de inteligência dos Estados Unidos. Entre as unidades citadas estão a Delta Force, do Exército, e a SEAL Team Six, da Marinha.
Aeronaves americanas lançaram bombas para abrir caminho na área, de acordo com o relato. Ao mesmo tempo, os militares avançavam para localizar e retirar o oficial ferido.
Antes da retirada, agentes da CIA conduziram uma ação de desinformação para desviar a atenção do Irã. Lideranças iranianas haviam oferecido recompensa pela captura do militar, segundo o material divulgado.
Operação enfrenta dano em aeronaves
Imagens posteriormente desclassificadas pelo Pentágono mostraram uma equipe de resgate da Força Aérea dos Estados Unidos se aproximando de “Bravo”. O militar não revelou o que ouviu dos resgatadores quando foi encontrado.
A retirada enfrentou um novo problema quando dois aviões de transporte especial MC-130J, destinados a levar os comandos e o militar para fora do país, sofreram danos durante a operação.
Mais de 90 integrantes das forças especiais ficaram temporariamente isolados por causa do dano às aeronaves. Depois, os Estados Unidos destruíram os dois aviões para evitar que fossem capturados pelos iranianos e enviaram outras aeronaves para concluir a saída.
Pentágono nega pressão por entrevista
O Pentágono não divulgou publicamente as identidades dos dois tripulantes do F-15. A medida, segundo o material, buscou preservar a segurança dos militares e impedir a exposição de informações sensíveis.
Apenas “Bravo” aceitou participar da entrevista. O piloto recusou o convite, enquanto autoridades militares demonstravam preocupação com a possibilidade de divulgação de detalhes classificados sobre o resgate.
Questionado sobre relatos de que integrantes políticos do Departamento de Defesa teriam pressionado pela participação dos militares, o porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, negou a versão e afirmou que a decisão coube a cada piloto.
Relato dimensiona impacto do resgate
O oficial disse que a experiência permanecerá com ele. Ele relatou ter enviado uma mensagem de fé quando conseguiu parar, se proteger e refletir sobre o que havia ocorrido.
Ao ver os resgatadores no alto da montanha, “Bravo” descreveu o momento como um dos mais marcantes de sua vida. Ele também manifestou gratidão às equipes que participaram da retirada.
O relato expõe a extensão da mobilização para retirar o militar ferido, mas preserva pontos operacionais da missão. As identidades dos tripulantes seguem sob sigilo, e “Bravo” evitou detalhar aspectos do encontro final com a equipe de resgate.


