As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a defender a quebra de sigilo em investigações que podem ter reflexos na disputa pelo Palácio do Planalto. Embora adotem um discurso semelhante de abertura dos autos, os grupos miram objetivos políticos diferentes.
Lula cobra a divulgação integral dos documentos ligados ao caso Master. Flávio, investigado no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, pede transparência também em outras apurações. A convergência ocorre em meio ao acirramento da corrida presidencial e à divulgação de informações que atingem os dois campos políticos.
Lula cobra abertura do caso Master
Lula foi o primeiro a se manifestar publicamente pela retirada completa do sigilo. Em publicação feita em 9 de setembro, o presidente defendeu que as investigações envolvendo o caso Master fossem abertas, independentemente de quem pudesse ser atingido pelos documentos.
Dois dias depois, ele voltou ao tema e defendeu que a população tivesse acesso à íntegra dos autos. A campanha petista avalia que a divulgação fragmentada de informações mantém espaço para vazamentos seletivos e prolonga a pressão política sobre o governo.
Além disso, integrantes da campanha veem na abertura dos documentos uma forma de buscar elementos que possam atingir Flávio Bolsonaro. A estratégia ocorre após notícias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula.
É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Flávio amplia pedido por transparência
Flávio Bolsonaro adotou o discurso de “transparência total” após a confirmação de que é investigado no caso relacionado ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador tenta apresentar a abertura dos autos como uma oportunidade para sustentar que não cometeu irregularidades.
Em agenda de campanha em Manaus, no Amazonas, em 11 de setembro, Flávio pediu ao ministro André Mendonça que retirasse o sigilo dos documentos. Mendonça é relator de parte dos casos no Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido do senador, porém, é mais amplo que o feito pelo grupo de Lula. Além dos autos relacionados ao Banco Master, a campanha de Flávio defende a abertura das investigações sobre o filme, fraudes no INSS e o inquérito das Fake News.
| Investigação ou caso | Posição informada das campanhas |
|---|---|
| Caso Master | Lula e Flávio defendem abertura integral dos autos |
| Financiamento de Dark Horse | Flávio pede retirada do sigilo |
| Fraudes no INSS | Flávio pede retirada do sigilo |
| Inquérito das Fake News | Flávio pede retirada do sigilo |
Investigação apura financiamento do filme
A Polícia Federal apura se Flávio Bolsonaro solicitou e intermediou repasses de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para custear a produção de Dark Horse. Segundo as informações divulgadas, o inquérito foi instaurado em julho.
A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes relacionados ao financiamento da obra. A existência da investigação passou a integrar a disputa entre as campanhas, que buscam limitar os danos de novas revelações.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que há diferença entre alegações e provas. Segundo ele, o senador não operou, recebeu ou administrou recursos destinados ao filme e apenas pediu o patrocínio.
Eu peço ao ministro André Mendonça: abra o sigilo. Tira o sigilo de tudo. Mostra tudo para o povo, porque merece saber e diferenciar quem está certo, que é o meu caso, de quem está errado, que é o caso do governo”
Flávio Bolsonaro, senador
A campanha do PL também informou que a produtora Go Up entregou mais de 25 mil documentos, entre recibos e notas fiscais, sobre a movimentação financeira da produção. Flávio vinha sendo cobrado por prestação de contas desde maio, quando áudios de conversa com Vorcaro se tornaram públicos.
Disputa eleitoral eleva pressão sobre campanhas
As campanhas tratam o sigilo das investigações como um fator com potencial para interferir na eleição. Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados em pesquisas recentes, após o senador reduzir a distância em relação ao presidente, segundo o relato sobre a disputa.
O PT pretende enfatizar que Lula não é alvo do inquérito sobre o financiamento do filme, enquanto Flávio é investigado. Por outro lado, o senador e seus aliados buscam enquadrar a divulgação dos autos como evidência de que poderão demonstrar sua versão dos fatos.
O governo também enfrenta repercussões da crise no STF após a divulgação de conversas e encontros entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A campanha petista tem dificuldade para dissociar a imagem de Lula da de Moraes, cuja atuação em processos contra integrantes do bolsonarismo é explorada pelo grupo de Flávio.
Assim, o pedido comum pela abertura dos documentos não elimina o confronto político. Cada lado procura reduzir o risco de divulgações parciais e, ao mesmo tempo, identificar nos autos informações capazes de fortalecer sua própria campanha ou pressionar o adversário.


