O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, associou os 25 anos dos atentados de 11 de Setembro ao pedido por garantias de segurança para seu país diante da guerra com a Rússia. Em entrevista remota do Canadá durante o Fórum YES, em Kiev, ele comparou a mobilização da Otan em apoio aos Estados Unidos após os ataques com a reação internacional aos ataques russos contra a Ucrânia.
Zelensky prestou condolências às famílias das vítimas e aos sobreviventes dos atentados de 2001. Ao defender uma resposta mais ampla à ofensiva russa, afirmou que Kiev tem enfrentado os ataques contínuos sem um apoio comparável ao oferecido aos Estados Unidos naquele episódio.
Zelensky relembra vítimas do 11 de Setembro
Na entrevista, Zelensky definiu a data como marcada, ao mesmo tempo, pela força das pessoas e por uma grande tragédia. Os ataques de 11 de Setembro completaram 25 anos na ocasião de sua declaração.
O presidente ucraniano também mencionou que havia cidadãos ucranianos entre os mortos. Segundo ele, um bombeiro de Nova York de ascendência ucraniana estava entre as vítimas.
A referência às vítimas serviu de ponto de partida para a comparação feita por Zelensky. Ele relacionou a solidariedade internacional manifestada após os atentados à necessidade de proteção para a Ucrânia em meio à guerra.
Otan acionou o Artigo 5º após atentados
Depois dos ataques contra os Estados Unidos em 2001, a Otan invocou o Artigo 5º de seu tratado. A cláusula estabelece que um ataque armado contra um integrante da aliança deve ser considerado um ataque contra todos os membros.
Acho que a resposta é… não há comparação.”
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Esse foi o primeiro e, segundo Zelensky, o único acionamento do dispositivo. Nas semanas seguintes, a aliança aprovou medidas como o compartilhamento de inteligência e o reforço da segurança em instalações nos Estados Unidos e em outros países aliados em território americano.
Em outubro de 2001, a Otan iniciou sua primeira operação antiterrorismo. Aeronaves da aliança passaram a auxiliar no patrulhamento do espaço aéreo dos Estados Unidos.
Presidente cobra garantias para a Ucrânia
Zelensky retomou pedidos anteriores por garantias de segurança contra a Rússia. A cobrança ocorre no contexto dos ataques contínuos que, segundo ele, a Ucrânia enfrenta durante a guerra.
Ao fazer a analogia com 2001, o presidente não afirmou que a Ucrânia deva acionar o Artigo 5º. O mecanismo se aplica aos integrantes da Otan, e a Ucrânia não integra a aliança militar.
O argumento apresentado por Zelensky foi político: ele defendeu que países dispostos a preservar direitos, liberdades e valores devem reagir a inimigos e terroristas. Dessa forma, vinculou a busca por garantias à defesa de uma resposta coletiva.
Comparação expõe diferença na mobilização
Para Zelensky, a reação mundial aos atentados contra os Estados Unidos foi ampla. A resposta da Otan incluiu medidas concretas de cooperação e segurança, além da operação de patrulhamento aéreo.
Já no caso da Ucrânia, o presidente disse que não vê equivalência entre aquela mobilização e o apoio recebido por Kiev para enfrentar a Rússia. A comparação reforça a pressão ucraniana por compromissos de segurança mais robustos.
A declaração foi feita durante o Fórum YES, realizado em Kiev, embora Zelensky tenha participado da entrevista a partir do Canadá. O presidente usou uma data de forte simbolismo internacional para reiterar a posição de seu governo sobre a guerra.


