O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (9) que Vladimir Putin quer fazer um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. Trump relatou ter tido uma conversa telefônica que classificou como “ótima” com o presidente russo no início da semana.
O telefonema ocorreu na terça-feira (8), após o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, retornarem de uma missão diplomática por Moscou e Kiev. Segundo Trump, um entendimento também dependeria da disposição do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Trump relata telefonema com Putin
Trump falou a repórteres antes de embarcar no Air Force One rumo a Dallas, onde participaria da Convenção Nacional Republicana. Na ocasião, ele apresentou a conversa com Putin como parte das tentativas de buscar uma saída negociada para a guerra.
O presidente americano afirmou que o líder russo deseja chegar a um acordo. Ele vinculou a possibilidade de avanço nas negociações à adesão de Zelensky a esse entendimento.
Ao abordar as dificuldades, Trump atribuiu o principal entrave à relação entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia. Para ele, a animosidade pessoal entre ambos pesa mais do que outros fatores nas conversas.
Missão dos EUA passa por Moscou e Kiev
Witkoff e Kushner viajaram a Moscou e Kiev antes da ligação entre Trump e Putin. A dupla retornou da missão diplomática pouco antes do contato telefônico entre os dois presidentes.
Segundo as informações divulgadas, os dois discutiram possíveis propostas para pôr fim à guerra. Witkoff e Kushner têm conduzido a maior parte das principais negociações de paz dos Estados Unidos relacionadas ao conflito.
Assim, a viagem integrou uma sequência recente de contatos americanos com interlocutores russos e ucranianos. A ligação de Trump a Putin veio logo após essa agenda.
CIA amplia contatos com autoridades russas
No mês anterior, o diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, John Ratcliffe, reuniu-se em Moscou com autoridades de inteligência russas. Parte do objetivo era incentivar autoridades do país a encerrar a invasão da Ucrânia.
A reunião da CIA se somou às gestões políticas e diplomáticas mencionadas por Trump. Ao mesmo tempo, os contatos envolveram diferentes representantes do governo americano.
A guerra já entra em seu quarto ano. Nesse cenário, os Estados Unidos mantiveram conversas por canais presidenciais, diplomáticos e de inteligência, conforme o relato divulgado.
Autoridades questionam disposição de Moscou
Autoridades de inteligência dos Estados Unidos, da Ucrânia e de países europeus continuam a duvidar que Putin tenha interesse sério em encerrar a guerra, segundo as informações divulgadas.
A avaliação contrasta com a declaração de Trump sobre o que ouviu do presidente russo no telefonema. Ainda assim, Trump indicou que vê espaço para um acordo caso Putin e Zelensky aceitem negociá-lo.
O presidente americano colocou a relação entre os dois líderes no centro dos obstáculos. Enquanto Washington multiplica os contatos, a divergência sobre a disposição de Moscou permanece associada às perspectivas de negociação.


