A retirada do sigilo de parte dos arquivos do inquérito do Banco Master, na sexta-feira (11), mobilizou as equipes eleitorais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a analista de política Isabel Mega, os grupos passaram a examinar o material liberado em busca de informações que possam repercutir na disputa.
O caso reúne temas considerados sensíveis pelas duas campanhas. Enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro acompanha os possíveis efeitos de novas revelações, o PT monitora o inquérito ligado ao filme Dark Horse e as associações do debate público com corrupção.
Sigilo do Banco Master muda a rotina das campanhas
De acordo com Isabel Mega, as equipes dos dois lados se debruçaram sobre os arquivos durante a madrugada posterior à liberação parcial. A busca tinha como objetivo identificar dados que pudessem ser usados no embate eleitoral.
A analista relatou que a campanha de Flávio Bolsonaro adotou uma postura defensiva diante das informações que passaram a circular. Segundo ela, integrantes do grupo respondiam a questionamentos com réplicas voltadas a outros pontos do debate.
A campanha do político do PL, por sua vez, classificou como “requentada” a notícia sobre a abertura de investigação contra ele. O argumento apresentado foi o de que a informação já era pública.
Aliados reagem a indícios citados pela PGR
Um dos episódios mencionados no debate envolveu o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Questionado sobre indícios de condutas ilícitas apontados pela Procuradoria-Geral da República, ele chamou atenção para uma foto de Paulo Gonet com Ciro Soares.
Ao mencionar a imagem, Sóstenes sugeriu proximidade entre os dois. A reação exemplificou a estratégia descrita por Isabel Mega, de deslocar o foco dos questionamentos para outros elementos relacionados ao caso.
O material citado no programa também menciona suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Gustavo Uribe afirmou que a divulgação de documentos oficiais com indícios desse tipo, quando associados diretamente a um candidato à Presidência, exige acompanhamento dos desdobramentos políticos.
São questões que podem abalar principalmente o voto religioso e feminino.”
Tainá Falcão, âncora da CNN Brasil
Campanha avalia riscos para voto religioso e feminino
A âncora Tainá Falcão apontou preocupação na campanha de Flávio Bolsonaro com eventuais vazamentos de conteúdo de ordem moral. Entre os exemplos citados está a participação do senador em festas promovidas por Daniel Vorcaro.
Na avaliação apresentada por Tainá, esse tipo de informação pode ter repercussão particularmente entre eleitoras e eleitores religiosos. Por isso, o tema seria visto com mais apreensão pelo grupo político do que o caso Dark Horse.
Larissa Rodrigues afirmou que o entorno de Flávio também discute como calibrar sua comunicação sobre o ministro André Mendonça. Bolsonaristas exaltaram Mendonça em manifestação de 7 de Setembro e na propaganda de rádio e televisão, segundo a analista.
Caso Dark Horse abastece o monitoramento do PT
O PT acompanha os desdobramentos relacionados ao filme Dark Horse, que homenageou Jair Bolsonaro. A íntegra do inquérito sobre a produção ainda não havia sido divulgada, mas as informações disponíveis mencionavam vínculos de Flávio e Eduardo Bolsonaro com o financiamento da obra.
Isabel Mega avaliou que novos fatos sobre o tema podem fornecer argumentos à campanha petista. Ao mesmo tempo, Tainá Falcão disse que o time de Lula observa com atenção o peso eleitoral do tema da corrupção.
Segundo a âncora, há preocupação com associações feitas por parte do eleitorado entre o PT, episódios do passado e a crise interna no Supremo Tribunal Federal. Ela também citou o receio de que eleitores relacionem Alexandre de Moraes ao presidente Lula.
Pesquisas deverão medir efeito das revelações
Gustavo Uribe alertou que uma sequência de notícias negativas pode produzir efeito acumulado sobre o humor do eleitorado. No entanto, ele afirmou que não seria possível antecipar, naquele momento, a dimensão de uma eventual consequência eleitoral.
O analista destacou que a posição da campanha de Flávio Bolsonaro era a de minimizar o impacto das informações. Ainda assim, sustentou que as próximas pesquisas eleitorais serão um indicador para avaliar a reação dos eleitores.
Assim, a abertura parcial dos arquivos amplia a atenção das campanhas sobre o noticiário judicial e político. A disputa passa a incorporar tanto o conteúdo dos documentos como as narrativas que cada grupo pretende construir a partir deles.


