A investigação da Polícia Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou US$ 38 mil, cerca de R$ 194,3 mil na cotação informada, por guias VIP em uma viagem de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, aos parques da Disney e da Universal em Orlando, nos Estados Unidos.
Segundo a apuração, o serviço teria sido contratado para acompanhar os viajantes durante cinco a sete dias. A informação integra o depoimento do empresário Leonardo Giunchetti, ouvido como testemunha pelas autoridades.
Investigação da Polícia Federal aponta pagamento
De acordo com a PF, Vorcaro recebeu a programação da viagem de Paulo Sérgio e a encaminhou ao contato Leo Serrano Giunchetti. Na mensagem, teria indicado a necessidade de conseguir um guia para o grupo que seguiria aquele roteiro em Orlando.
A corporação informou que identificou a viabilização da viagem a partir do celular de Vorcaro. O material analisado pela investigação relaciona o envio da programação à busca pelo serviço de acompanhamento nos parques.
Giunchetti afirmou às autoridades que Daniel Vorcaro solicitou à empresa apenas a contratação dos guias para os parques de Orlando. Segundo o empresário, o pagamento pelo serviço foi feito por Vorcaro.
Mais do que 8 pessoas, você tem que contratar dois guias. E aí eles andam juntos. Eles têm um pacote mínimo de 6 ou 8 horas, e, a partir desse tempo mínimo, eles cobram por hora”
Leonardo Giunchetti, empresário ouvido como testemunha
Mensagens registram embarque em fevereiro de 2024
A PF situou uma troca de mensagens entre os envolvidos no dia 5 de fevereiro de 2024, período em que Paulo Sérgio estaria embarcando para a viagem à Disney.
Na conversa mencionada pela investigação, o ex-diretor do Banco Central agradeceu a Vorcaro depois de ser contatado por Leo. A mensagem também informava que o grupo embarcaria pouco depois.
Paulo Sérgio havia ocupado o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, conhecido pela sigla Desup, no Banco Central. A área integra a estrutura de supervisão da instituição.
Serviço limita grupos e cobra por horas
Em seu depoimento, Leonardo Giunchetti disse que os guias da Disney acompanham turistas em visitas aos parques. Conforme relatou, cada guia pode atender até oito pessoas.
Bom dia! Léo acabou de me mandar mensagen. Obrigado mais uma vez!!! Estamos embarcando daqui a pouco”
Paulo Sérgio Neves de Souza, em mensagem citada pela PF
Por isso, grupos maiores exigem a contratação de dois profissionais, que atuariam juntos. O empresário também descreveu que o serviço tem um pacote mínimo de seis ou oito horas e cobrança adicional por hora após esse período.
Giunchetti relatou ainda que a Universal oferece um serviço semelhante, embora com preço menor, segundo sua avaliação. A PF apontou que a contratação mencionada no caso envolveu parques das duas empresas em Orlando.
Relatório cita pagamentos a Belline Santana
O relatório da Polícia Federal também cita Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central. Segundo a corporação, a relação entre ele e Vorcaro remonta ao menos a outubro de 2023, quando o então funcionário do BC entrou em contato com o ex-banqueiro.
A investigação menciona mensagens de janeiro de 2024 enviadas por Zettel a Vorcaro sobre um pagamento pendente para Belline. Em outra mensagem, datada de 30 de janeiro, Zettel teria informado que faria, entre outros repasses, um pagamento destinado a ele.
Em 2 de outubro de 2024, conforme o relatório citado pela PF, Zettel escreveu a Vorcaro que uma parte do dinheiro enviado a Leonardo Palhares seria destinada a Belline, que receberia R$ 760 mil. Belline Santana nega ter recebido pagamentos e afirma não ter interferido nos trabalhos de fiscalização do Banco Master.


