A Polícia Federal apontou o uso de logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal para acessar processos sigilosos durante a investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. As informações aparecem em relatório divulgado na noite de quinta-feira (10), após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, derrubar o sigilo da apuração.
Segundo os investigadores, a análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro identificou acessos recorrentes e irregulares a procedimentos do MPF, da própria Polícia Federal, da Polícia Civil e do Banco Central. O relatório também menciona extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos.
PF identifica acessos no MPF
Na relação de pessoas citadas na investigação, a Polícia Federal afirma que o login funcional de dois servidores do MPF foi usado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão. O documento registra a possibilidade de uso indevido das credenciais, com ou sem participação consciente dos titulares.
De acordo com o relatório, os acessos ocorreriam por meio de logins funcionais de terceiros. A investigação também aponta que documentos protegidos foram extraídos de forma indevida e que sistemas internos foram consultados sem autorização.
A PF afirma que as informações obtidas sob sigilo eram utilizadas para finalidades alheias ao interesse público. O relatório descreve os acessos como parte de um conjunto de condutas investigadas no Caso Master.
Relatório cita quatro instituições
Além do Ministério Público Federal, a análise policial menciona acessos a procedimentos sigilosos da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Banco Central. A identificação ocorreu a partir de mensagens e outros conteúdos extraídos do celular de Vorcaro.
O relatório descreve a existência de acessos recorrentes e irregulares em diferentes órgãos. Dessa forma, a investigação não restringe o episódio ao uso de credenciais ligadas ao MPF.
As informações estavam protegidas por sigilo e, segundo a PF, foram obtidas por consultas não autorizadas, uso de credenciais de terceiros e retirada indevida de documentos. O documento atribui essas conclusões à análise do material apreendido na investigação.
PF descreve estrutura organizada
A Polícia Federal também concluiu que Vorcaro teria formado uma estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas, voltada à prática reiterada de condutas ilícitas em diferentes frentes de atuação.
Essa descrição consta do relatório baseado no conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro. O documento relaciona a estrutura investigada a acessos ilegais a sistemas sigilosos, monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos.
Segundo os investigadores, as atividades atribuídas ao grupo tinham atuação coordenada. O relatório, no entanto, apresenta essas informações no âmbito da investigação policial sobre o caso.
Executor operacional receberia R$ 1 milhão
Entre as pessoas citadas no relatório está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, referido no documento como Felipe Mourão. A PF o aponta como executor operacional de Vorcaro.
De acordo com a investigação, Mourão receberia R$ 1 milhão por mês para agir em nome do ex-banqueiro. O relatório atribui a ele funções relacionadas ao acesso a sistemas sigilosos e à coordenação da chamada “turma”.
O documento também relaciona Mourão a ações de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos a mando de Vorcaro. Essas atribuições aparecem na descrição feita pelos investigadores sobre a estrutura apurada.
Sigilo da apuração é derrubado
Os documentos da investigação foram divulgados na noite de quinta-feira (10), depois que Edson Fachin derrubou o sigilo da apuração no Supremo Tribunal Federal. A decisão ocorreu a pedido do presidente da Corte.
Com a divulgação, vieram a público os apontamentos da PF sobre o uso de credenciais funcionais e os acessos a sistemas internos de diferentes instituições. Entre os dados revelados estão as referências aos dois servidores do MPF cujos logins teriam sido utilizados repetidamente.
O caso envolve a investigação sobre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao liquidado Banco Master. O relatório reúne informações extraídas do celular dele e descreve as frentes de atuação que, segundo a PF, integrariam a estrutura investigada.


