A Polícia Federal cita conversas que, segundo a investigação, mostram Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central (BC), repassando informações a Daniel Vorcaro e aconselhando o ex-banqueiro em tratativas com a autoridade monetária no caso Master.
O conteúdo foi divulgado depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso Master. A medida ocorreu na noite de quinta-feira (10), após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
PF situa contatos desde 2023
Segundo relatório da Polícia Federal, a relação entre Vorcaro e Santana remonta ao menos a outubro de 2023. Naquele momento, Santana era funcionário do Banco Central e entrou em contato com o banqueiro, conforme a investigação.
A PF afirma que Santana procurou Vorcaro em diferentes ocasiões para transmitir informações sobre órgãos públicos. Além disso, a corporação atribui a ele orientações sobre as tratativas do ex-banqueiro com o BC.
Uma conversa de 14 de agosto de 2025 integra o material mencionado pela investigação. Santana escreveu a Vorcaro que o dia parecia terminar de maneira menos pessimista; na resposta, o ex-banqueiro afirmou haver esperança e disse que venceriam uma guerra.
Mensagens abordam minuta para o BC
Os diálogos citados pela PF também tratam da minuta apresentada por Vorcaro ao Banco Central nas negociações entre o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Master.
Ainda estamos vivos, então há esperança. Vamos vencer essa guerra.”
Daniel Vorcaro, em conversa citada pela Polícia Federal
De acordo com a corporação, Santana opinou sobre como o documento poderia ser aprimorado. A conversa aparece no conjunto de mensagens que embasa a descrição da relação entre os dois.
O BRB é mencionado nesse trecho por causa das negociações com o Master. Assim, a investigação relaciona a orientação sobre a minuta às tratativas que dependiam da interlocução com o Banco Central.
Investigação atribui pagamentos mensais
A Polícia Federal afirma que Vorcaro realizaria pagamentos de até R$ 760 mil por mês a Santana. A informação consta da investigação divulgada após a retirada do sigilo dos procedimentos pelo STF.
A corporação inclui os valores entre os elementos apurados sobre a relação de Vorcaro com o então servidor do Banco Central. A atribuição dos pagamentos é da PF.
O caso reúne procedimentos vinculados ao Master e teve 15 deles liberados por decisão de André Mendonça. A solicitação para a retirada do sigilo partiu de Edson Fachin, presidente do STF, segundo o material divulgado.
PF relata viagem à França
A investigação também cita uma viagem de Belline Santana à França em 2025 que, segundo a PF, Daniel Vorcaro teria organizado. A corporação menciona conversas do ex-banqueiro com um contato identificado como “Aurel Gross”.
Nas mensagens, o contato perguntou sobre os preparativos para receber um convidado de Vorcaro. A programação sugerida incluía almoço no restaurante Loulou, visita guiada e jantar no L’Aperouse.
Segundo a PF, Vorcaro aprovou a programação e enviou a Aurel o contato de Santana, identificado como o convidado. O pedido do banqueiro por bons vinhos e comidas nos restaurantes foi apontado pela corporação como indicação de que ele pagaria os eventos.


