Antes de ser papa, Leão XIV defendeu paz após o 11 de Setembro

Em 21 de setembro de 2001, Robert Prevost relacionou os ataques à pobreza e à injustiça e pediu que os agostinianos rejeitassem a vingança

Da
Redação
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Antes de ser eleito papa, Robert Prevost liderava a Ordem de Santo Agostinho quando falou sobre os ataques de 11 de Setembro.20 de maio de 2026 REUTERS/Yara Nardi
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Leão XIV defendeu a paz e a reconciliação dez dias após os ataques de 11 de Setembro, quando ainda era o reverendo Robert Prevost e havia acabado de assumir a liderança da Ordem de Santo Agostinho. As declarações foram feitas em 21 de setembro de 2001, durante uma missa em Roma.

Na ocasião, Prevost relacionou a violência dos atentados nos Estados Unidos à pobreza, à opressão e à injustiça. Ele também alertou que a busca por vingança poderia ampliar o ódio e a violência, enquanto pedia aos agostinianos uma resposta baseada nos valores do Evangelho.

Prevost condenou a busca por vingança

O então prior-geral dos agostinianos falou a membros da ordem na Basílica de Santa Maria del Popolo, poucos dias depois de sua escolha para comandar a organização religiosa católica.

Em sua avaliação, os ataques expunham problemas que ultrapassavam o episódio ocorrido nos Estados Unidos. Prevost associou o crescimento da violência a situações de extrema pobreza e a diferentes formas de injustiça.

O religioso afirmou ainda que milhões de pessoas viviam em desespero e sem esperança. Ao abordar a fome no mundo, mencionou a estimativa de 24 mil mortes diárias por essa causa.

O religioso relacionou violência e injustiça

Para Prevost, a reação aos atentados não deveria se limitar à punição ou à retaliação. Ele apresentou a atuação dos agostinianos como um testemunho religioso diante de um período marcado pelo medo e pelas tensões internacionais.

O ódio e a violência só aumentarão enquanto as pessoas continuarem sendo obrigadas a viver em extrema pobreza, oprimidas por tantas formas de injustiça.”

Robert Prevost, em missa na Basílica de Santa Maria del Popolo

O futuro papa pediu que a ordem concentrasse seus esforços em valores como unidade, diálogo, paz e reconciliação. Dessa forma, defendeu uma resposta que, segundo ele, se opusesse ao ciclo de hostilidade desencadeado pela violência.

A mensagem também vinculou os ataques a desafios sociais mais amplos. Na fala, pobreza, desigualdade e falta de esperança apareceram como fatores associados ao aumento do ódio e da violência.

A Ordem de Santo Agostinho ampliou sua presença

Na mesma ocasião, Prevost mencionou a criação de uma nova província agostiniana na Nigéria. Ele considerou a iniciativa significativa diante das tensões entre muçulmanos e cristãos em diferentes partes do mundo.

A referência à Nigéria conectou a expansão da ordem religiosa ao apelo por diálogo entre comunidades de diferentes tradições. O tema reforçou a defesa de uma resposta baseada na convivência e na reconciliação.

A Ordem de Santo Agostinho reúne frades e freiras e está presente em diversos países. Prevost havia sido escolhido para liderá-la pouco antes da missa em que falou sobre os atentados.

O livro reúne os textos do futuro papa

Os comentários feitos em 2001 serão publicados no livro Freedom Under Grace, uma compilação de textos escritos por Prevost durante o período em que liderou os agostinianos.

A obra será lançada em inglês na terça-feira, segundo o material divulgado sobre a publicação. O conteúdo recupera uma manifestação feita antes de Prevost se tornar papa e antes de sua projeção mundial como líder da Igreja Católica.

O episódio também registra uma posição pública do então religioso sobre os efeitos políticos e sociais dos ataques. Naquele momento, ele defendia que a paz, o diálogo e a reconciliação deveriam orientar a resposta cristã à violência.

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