A campanha de Lula decidiu reduzir o espaço dedicado ao legado e à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para priorizar propostas para um eventual quarto mandato. A mudança ocorre na preparação para a eleição de 2026 e inclui medidas nas áreas de saúde, educação e segurança.
Ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores orientou candidatos a cargos legislativos e estaduais a intensificar críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), tratado pela sigla como principal adversário. A estratégia discutida pelo grupo também abrange uma proposta de reforma do Judiciário.
Campanha de Lula muda a comunicação
Até então, a equipe planejava reservar parte da comunicação para apresentar a história política de Lula. Segundo o relato sobre as discussões internas, a aposta no passado e na trajetória não elevou a intenção de voto do presidente.
A campanha associou a revisão de rota a um noticiário negativo sobre Lulinha, Marcola e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com esse relato, a equipe enfrentou dificuldades para reagir e viu Lula piorar nas pesquisas.
Nos últimos dias, o comando realizou dezenas de reuniões e convocou a executiva nacional do PT para discutir a resposta eleitoral. Dessa forma, a campanha passou a defender uma comunicação mais detalhada e propositiva para saúde, educação e segurança.
Propaganda estreia propostas na saúde
A propaganda de televisão e rádio integra a nova fase da estratégia. Na quinta-feira, 10 de setembro, o programa de Lula abriu essa etapa com promessas voltadas à saúde.
A campanha pretende reduzir a fila de espera de pacientes oncológicos. Para isso, propõe criar centros de tratamento contra o câncer em cidades com mais de 150 mil habitantes.
O plano também prevê construir centros de radioterapia em todos os estados. As medidas formam a principal proposta anunciada na estreia da nova linha de comunicação.
Um integrante da campanha afirmou, sob reserva, que o objetivo é trabalhar com propostas que tenham base concreta e orçamentária para execução. A declaração descreve a orientação adotada para a formulação das medidas.
Educação mira creches e tempo integral
Na educação, a campanha pretende apresentar a ampliação de escolas em tempo integral e de creches. A comunicação sobre essas propostas deve mirar especialmente o eleitorado feminino.
A equipe identificou que 20% das mulheres do país não conseguem trabalhar porque não têm onde deixar os filhos. Por isso, a campanha pretende relacionar a expansão de creches à possibilidade de inserção dessas mulheres no mercado de trabalho.
As escolas de tempo integral aparecem como outra frente da agenda educacional. A campanha prevê abordar as promessas em suas próximas inserções de propaganda.
Segurança ainda exige definição
Aliados de Lula reconhecem dificuldades para consolidar uma proposta central de segurança pública. O presidente mencionou em entrevistas a criação de uma guarda nacional, ideia que surpreendeu integrantes de sua própria equipe.
Segundo a avaliação atribuída aos aliados, a proposta precisa de maior elaboração, assim como a comunicação sobre o tema. Até aqui, o discurso da campanha esteve mais ligado à possibilidade de recriar o Ministério da Segurança Pública.
A segurança, portanto, integra a lista de áreas que a campanha quer detalhar. A intenção é incorporar o tema à nova agenda de propostas para 2026.
PT amplia ofensiva contra Flávio Bolsonaro
Além da agenda propositiva, o PT enviou orientações a seus candidatos ao Legislativo e aos governos estaduais para elevar o tom contra Flávio Bolsonaro. A sigla pretende reforçar ataques ao senador na disputa eleitoral.
Entre as instruções está a cobrança pela abertura completa de sigilos no caso Master. A orientação partidária também é enfatizar o discurso de que Flávio é investigado e que Lula não está envolvido no caso.
Esses pontos integram a estratégia política definida pelo partido, paralelamente à divulgação de propostas nas áreas sociais e de segurança.
Partido avalia reforma do Judiciário
O PT também testa a repercussão de medidas sugeridas para uma reforma do Judiciário. Parlamentares apresentaram uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê idade mínima de 50 anos para ministros de tribunais superiores.
A PEC ainda sugere mandatos de dez anos para esses ministros. O comando partidário deu aval à medida, segundo o relato sobre as decisões da sigla.
Lula tem defendido a recuperação do prestígio e da credibilidade do STF. O presidente também sustenta que a primeira reforma do Judiciário ocorreu durante seu governo.


