Os Brics defenderam a reforma de instituições financeiras globais de desenvolvimento, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, para ampliar a voz das economias de mercados emergentes. Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do bloco apresentaram a posição em declaração conjunta divulgada na noite de quinta-feira (10).
O documento também pede maior interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos membros. A manifestação antecede a Cúpula de Líderes dos Brics, que será sediada pela Índia neste fim de semana, em Nova Délhi, com presença prevista de líderes da Rússia, da China e do Irã.
Brics defendem reforma do FMI
Na declaração, os ministros relacionaram a proposta de reforma ao peso crescente das economias de mercado emergentes e em desenvolvimento na produção e no crescimento globais.
O grupo afirmou que a reforma da governança econômica global permanece como prioridade dos Brics. Além do FMI e do Banco Mundial, a posição abrange instituições financeiras internacionais de desenvolvimento.
Os integrantes disseram que buscarão reforçar a coordenação interna. Segundo a declaração, o objetivo é tornar as instituições mais representativas, transparentes e responsáveis.
Ministros criticam tarifas unilaterais
Os chefes da área financeira do bloco também registraram preocupação com medidas unilaterais ligadas ao comércio e às finanças. O comunicado cita aumentos de tarifas e medidas não tarifárias.
Na avaliação expressa pelos ministros, essas iniciativas distorcem o comércio e não são compatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A cúpula ocorrerá mais de seis meses após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O país integra os Brics desde 2024.
Segundo o texto, a alta dos preços do petróleo resultante do conflito ampliou a pressão sobre economias emergentes. Ao mesmo tempo, essas economias sentiram os efeitos da volatilidade ligada às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Bloco busca integrar pagamentos
Os ministros reconheceram o trabalho da Força-Tarefa de Pagamentos dos Brics. Ainda assim, pediram que o grupo mantenha as discussões para viabilizar soluções práticas de pagamentos transfronteiriços.
A prioridade apontada é ampliar a interoperabilidade dos sistemas de pagamento entre os países membros. Dessa forma, o bloco busca facilitar transações realizadas além das fronteiras nacionais.
A declaração estabelece que essas soluções devem ser rápidas, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguras.
Índia pressiona por moedas digitais
A Índia pressionará por avanços na integração de moedas digitais entre os países dos Brics, segundo duas fontes a par das discussões ouvidas pela Reuters nesta semana.
O tema se conecta à agenda de pagamentos transfronteiriços que consta da declaração dos ministros e presidentes de bancos centrais. No documento, o grupo enfatiza a continuidade dos debates conduzidos pela força-tarefa.
A Cúpula de Líderes dos Brics reunirá os países do bloco em Nova Délhi neste fim de semana. A reunião acontece após a divulgação da posição conjunta das autoridades financeiras.


