A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou, em 10 de setembro, uma carta aberta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com cobranças de transparência, serenidade e imparcialidade na condução das investigações do caso Master.
O movimento, que se define como progressista e reúne fiéis de diferentes denominações, defende a retirada do sigilo das apurações. A manifestação ocorre após Mendonça tornar público, em 1º de setembro, um relatório da Polícia Federal sobre conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Carta pede transparência a Mendonça
No documento, a Frente afirma que a condição religiosa de Mendonça não deve alimentar suspeitas contra outros evangélicos nem servir, segundo o grupo, como escudo, palanque ou instrumento eleitoral.
Mendonça é pastor presbiteriano e foi apresentado ao STF como um nome “terrivelmente evangélico”, expressão mencionada pela entidade na carta. Para a Frente, essa identificação amplia a responsabilidade pública do ministro perante parte da comunidade evangélica.
A carta também pede que a condução das investigações ocorra com serenidade. O grupo associa essa cobrança ao papel institucional exercido pelo ministro no Supremo.
Grupo critica vazamentos seletivos
A entidade critica o que classifica como vazamentos seletivos de informações, especialmente durante o período eleitoral. Segundo a Frente, divulgações fragmentadas podem favorecer versões sobre os fatos e atingir adversários políticos.
O texto sustenta que esse tipo de exposição pode deslocar uma investigação para a disputa política. Por isso, o movimento defende que o tratamento das informações siga um critério uniforme.
Na avaliação apresentada pela Frente, a divulgação parcial de elementos de uma apuração não deve depender da conveniência de cada momento. A carta usa referências bíblicas ao formular o apelo ao ministro.
Caso Master teve relatório divulgado
A crise mencionada pela entidade se desenvolveu depois que Mendonça retirou, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório da Polícia Federal. Conforme o material divulgado, o documento revelou conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Vorcaro é identificado como dono do Banco Master. Já Moraes integra o STF, assim como Mendonça, responsável pela decisão de tornar o relatório público.
Além do caso Master, Mendonça relata investigações de repercussão política e eleitoral. Entre elas estão as apurações sobre fraudes no INSS, o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e dois inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Apoios evangélicos cercam o ministro
Enquanto recebe críticas da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Mendonça também tem sido apoiado por movimentos evangélicos conservadores, segundo o material que acompanha a carta.
No ato de campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, realizado na Avenida Paulista em 7 de Setembro, manifestantes exaltaram o ministro. O grupo levou um boneco inflável com a imagem de Mendonça.
Na semana anterior, em meio à crise no STF, Mendonça publicou um vídeo para agradecer mensagens de apoio e orações recebidas de fiéis. O ministro atua como pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Pinheiros.


