O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quarta-feira (9), em um comício em Teresina, que não aceitará interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Durante o discurso, ele também criticou o presidente americano, Donald Trump, e disse que o processo eleitoral deve ser conduzido pelos brasileiros.
A declaração ocorreu em meio à tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, um mês após Washington revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Lula mencionou ainda a possibilidade de interferência do governo americano e do “tribunal eleitoral”, sem deixar claro se fazia referência ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula critica interferência estrangeira
Ao lado de aliados e apoiadores, Lula afirmou que os Estados Unidos não deveriam tentar influenciar as eleições do Brasil. O presidente associou a defesa da soberania eleitoral à capacidade dos brasileiros de decidir o próprio processo político.
Na mesma fala, ele declarou que os brasileiros têm “caráter e dignidade de sobra” para ensinar qualquer país que tente interferir no processo eleitoral brasileiro. Em seguida, direcionou a crítica a Trump.
Lula disse que o presidente americano deveria cuidar dos assuntos de seu próprio país. O petista também afirmou que o problema eleitoral brasileiro pertence aos brasileiros.
Presidente menciona o tribunal eleitoral
Durante o comício, Lula também citou o que chamou de “tribunal eleitoral”. A fala não esclareceu se a referência era ao TSE, instituição responsável pela organização e pela condução da Justiça Eleitoral brasileira.
O presidente afirmou que não aceitaria uma suposta interferência do tribunal no processo eleitoral e mencionou a possibilidade de “falcatrua”. A declaração foi feita no mesmo trecho em que criticou uma eventual participação dos Estados Unidos.
Na sequência, Lula afirmou que derrotaria os americanos e quem tentasse se envolver nas eleições brasileiras. O discurso ocorreu durante a campanha pela reeleição, conforme a descrição do ato.
Crise diplomática amplia tensão
A declaração ocorreu depois de Washington revogar o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo comunicado do Palácio do Planalto, a medida faria parte de uma escalada de ações hostis contra o Brasil motivadas por razões ideológicas.
O Departamento de Estado americano apresentou outra justificativa. Segundo o órgão, a decisão respondeu a uma suposta demora das autoridades brasileiras para aprovar o aval diplomático de Daniel Perez, indicado para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Em julho, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro negou o pedido de visto para dois funcionários do governo de Trump que planejavam visitar o Brasil. A sequência de medidas elevou a tensão entre os dois países.
Lula e Trump trataram de eleições
No fim de agosto, Lula e Trump conversaram por telefone depois da crise envolvendo diplomatas dos dois países. Segundo informações atribuídas a interlocutores, os presidentes trataram de tarifas e também das eleições brasileiras.
Durante a conversa, Lula defendeu o sistema eleitoral do Brasil. De acordo com o relato, ele afirmou que a Justiça Eleitoral brasileira garante eleições livres e transparentes.
Segundo os interlocutores citados, nenhum dos dois presidentes mencionou integrantes da família Bolsonaro. Também não houve comentários sobre ministros do Supremo Tribunal Federal ou sobre uma possível nova aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.


