O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu uma articulação política para reforçar a atuação de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à crise que envolve integrantes da Corte. A informação foi publicada pela CNN Brasil, com base em fontes próximas ao presidente.
Segundo a reportagem, a estratégia do governo era apoiar institucionalmente Fachin e concentrar nele a condução de uma solução para as tensões no tribunal. Ao mesmo tempo, o movimento buscava separar Lula da imagem do ministro Alexandre de Moraes.
Lula apoia Fachin na crise do STF
De acordo com a CNN Brasil, Lula avaliou que o fortalecimento de Fachin seria decisivo para enfrentar a crise no STF. Por isso, o presidente teria determinado que os esforços do governo passassem a se concentrar no diálogo com o chefe da Corte.
A aproximação ocorreu nos bastidores e antecedeu decisões anunciadas por Fachin para conter a crise, segundo a publicação. A reportagem afirma que Lula participou pessoalmente da operação de aproximação com o presidente do Supremo.
Na avaliação de fontes próximas a Lula, dar protagonismo a Fachin permitiria que uma manifestação do Palácio do Planalto fosse entendida como apoio ao comando institucional do STF. Dessa forma, o governo buscaria evitar uma leitura de defesa individual de outro ministro.
Governo tenta se afastar de Moraes
A iniciativa ganhou relevância diante do agravamento das tensões ao longo da semana, conforme a CNN Brasil. O governo viu na valorização de Fachin uma forma de dissociar o presidente da República de Alexandre de Moraes.
O cálculo político relatado pela reportagem envolvia o embate entre Moraes e André Mendonça. A disputa ocorria em meio à suspeita envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo o texto publicado pela CNN Brasil.
Assim, a interlocução com Fachin serviria para deslocar a resposta do Executivo para o plano institucional. A estratégia, segundo as fontes ouvidas, não pretendia apresentar Lula como parte direta do confronto entre ministros.
Decisão sobre PF muda reação do governo
A definição da estratégia ocorreu após André Mendonça determinar, na manhã de uma terça-feira, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Inicialmente, integrantes do governo discutiram contestar rapidamente a decisão, segundo a CNN Brasil.
Entre as alternativas avaliadas estava uma reação política mais dura, com a convocação do Conselho da República. No entanto, a ideia foi abandonada pouco depois.
Depois disso, Lula direcionou a atuação do governo para as conversas com Fachin, conforme a reportagem. O presidente do STF se reuniu com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Fachin assume papel de conciliador
No dia seguinte ao afastamento de Andrei Rodrigues, Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça, segundo a CNN Brasil. Fontes próximas a Lula negaram à reportagem que o presidente soubesse antecipadamente do desfecho.
A divergência entre Dino, indicado por Lula ao Supremo, e Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ampliou o espaço para a atuação de Fachin como mediador. A reportagem também cita Alexandre de Moraes entre os ministros alcançados pela intervenção do presidente do STF.
Segundo o relato publicado, Fachin tomou medidas que atingiram Mendonça, Dino e Moraes. Com isso, a articulação do governo passou a apresentar a presidência do Supremo como eixo para administrar a crise interna da Corte.


