O custo da cesta básica caiu em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, na comparação com julho, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A redução ocorreu em meio ao alívio nos preços de itens como batata, café em pó e tomate.
Apesar do recuo mensal, a comparação com agosto de 2025 mostrou aumento do custo em 25 capitais. O movimento reduziu o tempo médio necessário para o trabalhador comprar os produtos, mas o gasto ainda comprometeu quase metade do salário mínimo líquido.
Queda alcança 25 capitais
As maiores quedas entre julho e agosto ocorreram em Rio Branco, com recuo de 4,68%, Manaus, com 4,55%, e Boa Vista, com 4,47%. Aracaju registrou redução de 3,89% no período.
Também tiveram baixas relevantes Cuiabá, de 3,37%, Salvador, de 3,30%, e Porto Velho, de 2,93%. Recife, Goiânia e Belém completaram a lista das dez maiores quedas, com reduções de 2,62%, 2,51% e 2,07%, respectivamente.
Em sentido oposto, o custo subiu em Maceió, com alta de 1,43%, e São Luís, onde avançou 0,78%. Essas foram as duas capitais que registraram aumento na comparação mensal.
Itens aliviam o custo mensal
A queda observada em agosto foi associada ao comportamento de produtos como batata, café em pó e tomate. Esses itens ajudaram a reduzir o valor total da cesta em grande parte das capitais.
O resultado, no entanto, variou entre as cidades. A composição da cesta é diferente nas regiões Norte e Nordeste, o que influencia a comparação dos valores entre as capitais.
Por isso, a redução mensal não eliminou as diferenças regionais. Os valores mais altos e mais baixos apareceram em grupos distintos de capitais.
São Paulo mantém maior valor
São Paulo continuou com a cesta básica mais cara do país em agosto. O custo chegou a R$ 900,59, mesmo após uma queda mensal de 1,58%.
Na sequência apareceram Cuiabá, com R$ 851,57, Rio de Janeiro, com R$ 851,19, e Florianópolis, com R$ 850,90. Os quatro maiores valores ficaram, portanto, acima de R$ 850.
Entre as capitais do Norte e do Nordeste, Aracaju registrou o menor valor médio, de R$ 570,98. Natal teve custo de R$ 627,42, Maceió ficou em R$ 627,45 e Salvador, em R$ 628,89.
Alta anual aparece em 25 cidades
Na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o custo da cesta aumentou em 25 capitais. Apenas Brasília e Palmas registraram queda no período.
As maiores altas anuais foram observadas em Goiânia, com 7,51%, Cuiabá, com 6,42%, e Vitória, com 6,26%. O avanço anual ocorreu apesar do recuo registrado na maioria das capitais em agosto diante de julho.
Brasília teve baixa anual de 0,64%, enquanto Palmas apresentou redução de 0,27%. Dessa forma, os dados mostram comportamentos diferentes conforme o período de comparação analisado.
Tempo de compra diminui
A redução mensal também afetou o tempo médio necessário para que o trabalhador comprasse os itens da cesta. Em agosto, foram necessárias 98 horas e 37 minutos.
Em julho, o tempo médio havia sido de 100 horas e 24 minutos. A diferença representa uma redução de 1 hora e 47 minutos no período necessário para adquirir os produtos.
O cálculo considera a relação entre o valor da cesta e a renda do trabalhador. Assim, a queda do custo em agosto diminuiu o esforço médio medido pelo levantamento.
Gasto compromete quase metade da renda
Em média, a cesta básica consumiu 48,46% do salário mínimo líquido em agosto. O percentual indica o peso dos produtos essenciais no orçamento mensal do trabalhador.
Com base na cesta mais cara, o Dieese estimou um salário mínimo necessário de R$ 7.565,86. O valor corresponde a 4,67 vezes o salário mínimo de R$ 1.621,00 considerado no levantamento.
O cálculo reforça a diferença entre o salário mínimo vigente e a renda estimada pelo Dieese para cobrir o custo da cesta básica. Ao mesmo tempo, o recuo mensal não impediu que a maioria das capitais acumulasse alta na comparação anual.


