Pesquisa divulgada em 9 de setembro pela Frente Parlamentar Mista da Educação aponta que 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já fizeram apostas online, conhecidas como bets. O levantamento ouviu 1.912 alunos de 191 escolas de todo o país.
O índice cresce entre os estudantes mais velhos: 49,7% dos entrevistados no 3º ano do ensino médio afirmaram já ter apostado. Além disso, 9,5% dos alunos de até 11 anos relataram a mesma experiência, embora o acesso de menores de idade às plataformas seja proibido no Brasil.
A pesquisa mede a exposição dos alunos
O levantamento foi realizado em parceria com a Equidade.info, iniciativa voltada à produção de dados para pesquisas. As entrevistas ocorreram presencialmente, com aplicação de questionários estruturados.
A coleta foi feita nos meses de agosto e setembro, segundo as informações divulgadas pela Frente Parlamentar. Participaram estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.
O resultado apresenta a proporção de alunos que disseram já ter realizado apostas online. Por isso, os percentuais refletem as respostas dos participantes ouvidos na pesquisa.
Apostas começam ainda na infância
Entre os estudantes de até 11 anos, 9,5% afirmaram já ter apostado. O dado indica que a exposição às bets aparece antes da conclusão do ensino fundamental.
A legislação brasileira proíbe que menores de idade tenham acesso a plataformas de apostas online. Ainda assim, o levantamento registrou relatos de participação entre crianças e adolescentes.
A diferença entre a idade mínima prevista na regra e a idade relatada pelos entrevistados coloca a proteção de menores no centro das recomendações apresentadas pelos organizadores.
Meninos apostam mais que meninas
Os meninos relataram maior participação nas apostas online do que as meninas. O índice foi de 27,8% entre eles, contra 12,6% entre elas.
A diferença também aparece quando os dados são separados pela etapa escolar. No ensino médio, 41,7% dos meninos disseram já ter apostado.
Entre os meninos dos anos finais do ensino fundamental, o percentual foi de 19%. Dessa forma, a pesquisa identifica crescimento da exposição conforme avança a escolaridade e mantém uma diferença relevante entre os grupos.
O ensino médio concentra os maiores índices
O maior percentual do levantamento aparece no 3º ano do ensino médio, com 49,7% dos estudantes afirmando já ter feito apostas online. O resultado representa quase metade dos alunos entrevistados nessa etapa.
O dado sugere uma concentração da experiência entre estudantes próximos da conclusão da educação básica. No entanto, a pesquisa também registrou participação entre alunos mais novos.
Entre os meninos, o percentual de 41,7% no ensino médio supera em mais de duas vezes o índice de 19% observado no ensino fundamental II. A comparação reforça a diferença entre as etapas de ensino.
O pesquisador questiona soluções individuais
Guilherme Lichand, coordenador da pesquisa, afirmou que medidas concentradas apenas no comportamento individual dos usuários podem não ser suficientes para enfrentar a exposição às bets.
Segundo ele, existe uma tendência de responsabilizar as próprias pessoas pelo problema. Lichand também citou os lembretes sobre perdas anteriores, usados pelas plataformas como possível forma de moderar as apostas.
O pesquisador disse que estudos científicos indicam que esse tipo de solução não funciona. Em sua avaliação, restrições à publicidade e impostos sobre os valores movimentados pelas plataformas podem reduzir o risco de exposição.
Organizadores defendem novas medidas de proteção
Os organizadores estimam que as perdas acumuladas podem superar R$ 1 bilhão entre o público pesquisado. O levantamento relaciona esse resultado à necessidade de ampliar as medidas de proteção para menores de 18 anos.
Entre as recomendações estão maior tributação sobre as transações realizadas nas plataformas e restrições à publicidade de apostas online. A proposta também inclui medidas específicas para proteger crianças e adolescentes.
Lichand afirmou ainda que a educação financeira, isoladamente, não tem se mostrado suficiente para prevenir a exposição às bets. Segundo a análise apresentada, estudantes de escolas com maior proporção de alunos com letramento financeiro tiveram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.


