EUA proíbem importações do Canadá e ampliam guerra comercial

Medidas anunciadas por Washington atingem bebidas, motocicletas e laticínios canadenses e entram em vigor em 29 de setembro.

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Redação
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Estados Unidos e Canadá ampliam medidas tarifárias e restrições de importação em disputa comercial.
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Os Estados Unidos proibiram a importação de uma ampla lista de produtos do Canadá, incluindo bebidas alcoólicas, motocicletas e itens lácteos. As medidas, publicadas pela Casa Branca, entram em vigor em 29 de setembro e aprofundam a guerra comercial entre os dois países.

Washington anunciou a decisão na terça-feira (8), após as tarifas retaliatórias canadenses começarem a valer à meia-noite. Ottawa reagiu às taxas de 50% que os EUA haviam imposto, no mês anterior, sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.

Proibição dos EUA atinge bebidas e laticínios

A lista americana alcança a maior parte das bebidas alcoólicas canadenses, segundo os comunicados divulgados no site da Casa Branca. Entre os itens citados estão cerveja, vinhos, uísque, bourbon, rum, vodca, vermute, tequila, mezcal e conhaque.

Além disso, a proibição abrange proteína de soro de leite, melaço invertido, melaço de cana e cerveja sem álcool. As medidas também incluem motocicletas produzidas no Canadá.

Nem todos os produtos passaram a ser barrados integralmente. Vários tipos de queijo entraram em uma relação submetida a tarifa de 50%, enquanto artigos de papel, alumínio, madeira, móveis e iluminação também foram adicionados à lista de bens afetados.

Essa reorientação terá um custo. Sempre há um custo para agir. Mas não chega nem perto do custo de ficar parado”

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá

Canadá reage com tarifas sobre US$ 20 bilhões

As tarifas canadenses recaem sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos dos Estados Unidos. As alíquotas variam de 15% a 50%, de acordo com autoridades do governo canadense.

A relação inclui bens como aço, móveis, roupas e eletrônicos. O governo de Ottawa desenhou as medidas para exercer pressão econômica e política sobre Washington.

Segundo o material divulgado, os efeitos devem alcançar setores localizados em estados americanos competitivos, entre eles Michigan e Ohio, antes das eleições de meio de mandato dos EUA em novembro. Embora os itens atingidos representem parcela pequena do comércio bilateral total, a escalada amplia o atrito entre os dois aliados históricos.

Guerra comercial põe acordo regional em dúvida

O impasse elevou as dúvidas sobre a viabilidade do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, conhecido pela sigla USMCA. O pacto substituiu o Nafta e sustenta o comércio na América do Norte há décadas.

Assim como tem sido nos últimos 18 meses, nossa principal prioridade continua sendo proteger e apoiar os trabalhadores, agricultores, famílias e empresas canadenses contra essas ações injustificadas”

Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelo comércio bilateral com os EUA

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu uma mudança na relação econômica de seu país com o maior parceiro comercial. Em vídeo publicado na terça-feira, ele reconheceu custos nessa estratégia, mas argumentou que Ottawa precisa agir.

A avaliação sobre o risco de novas retaliações também aparece entre representantes empresariais. Michael Harvey, diretor executivo da Aliança Canadense de Comércio Agroalimentar e integrante do comitê consultivo de Carney para as relações econômicas com os EUA, afirmou que o temor é de uma escalada contínua, embora tenha ressaltado a necessidade de o premiê buscar instrumentos de pressão.

Negociadores mantêm canal de diálogo aberto

Apesar do endurecimento das medidas, representantes dos dois governos mantiveram contatos nos últimos dias. Uma autoridade americana informou que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, conversou com Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelo comércio bilateral com os Estados Unidos.

Os dois deveriam voltar a conversar para avaliar uma saída alternativa para o conflito. LeBlanc também afirmou, em publicação nas redes sociais, que estava em contato com Greer enquanto o Canadá busca proteger trabalhadores, agricultores, famílias e empresas das medidas americanas.

Ao mesmo tempo, permanece em vigor a ameaça do presidente Donald Trump de elevar de 25% para 50% as tarifas sobre automóveis canadenses a partir de 1º de janeiro. Trump ainda determinou que a Administração de Serviços Gerais dos EUA coordene a retirada de produtos canadenses de listas de contratação do governo federal, salvo se o Canadá restabelecer o que chamou de reciprocidade para agricultores e empresas americanas.

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