O Canadá aplicou nesta terça-feira (8) tarifas de retaliação sobre US$ 20 bilhões em produtos dos Estados Unidos. As alíquotas variam de 15% a 50% e atingem mercadorias como aço, móveis, roupas e eletrônicos.
A decisão ocorre após o colapso das negociações entre Ottawa e Washington no mês passado. A medida eleva a tensão comercial entre os países e aumenta as dúvidas sobre o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
Canadá inicia tarifas de retaliação
As tarifas canadenses entraram em vigor pouco depois da meia-noite de terça-feira, segundo as informações fornecidas. O governo de Mark Carney passou a cobrar alíquotas entre 15% e 50% sobre uma cesta de produtos americanos avaliada em US$ 20 bilhões.
A lista inclui aço, móveis, vestuário e eletrônicos. Assim, a resposta de Ottawa alcança bens de consumo e insumos, em uma tentativa de exercer pressão econômica sobre seu maior parceiro comercial.
O material descreve a iniciativa como uma retaliação dólar por dólar. Ela sucede tarifas implementadas pelos Estados Unidos no mês passado sobre produtos canadenses que também somavam US$ 20 bilhões.
Medidas dos EUA atingem exportações canadenses
As tarifas americanas citadas no material alcançaram vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei. Segundo o texto, esse conjunto representa 5% das exportações do Canadá para os Estados Unidos.
Dados dos governos canadense e americano mencionados na reportagem indicam que quase 68% de todas as exportações canadenses foram destinadas aos EUA neste ano. Dessa parcela, cerca de 80% circularam sem tarifas por causa das isenções do USMCA.
Essas proteções deram alguma resiliência à economia canadense, de acordo com o material. No entanto, as novas tarifas dos EUA, impostas com base em uma lei americana da época da Grande Depressão, não permitem que Ottawa use as isenções previstas pelo acordo.
Impasse pressiona futuro do USMCA
O USMCA passa por revisões anuais depois que o presidente Donald Trump recusou uma extensão de mais dez anos para o acordo, conforme o material. Por isso, a escalada tarifária se soma às incertezas sobre investimentos e crescimento no Canadá.
Há duas semanas, um entendimento bilateral parecia próximo, mas autoridades dos dois países trocaram acusações pelo fracasso das conversas. Atualmente, segundo uma fonte do governo citada no texto, ministros e outras autoridades governamentais não mantêm negociações em curso.
Na semana passada, Carney afirmou que seu governo estava preparado para assinar um acordo comercial benéfico aos dois países. Enquanto isso, Trump ameaçou elevar a 50% as tarifas sobre carros, caminhões e peças automotivas do Canadá a partir de 1º de janeiro.
Setor produtivo alerta para escalada
Michael Harvey, diretor-executivo da Canadian Agri-Food Trade Alliance e integrante do comitê consultivo de Carney sobre relações econômicas bilaterais, manifestou preocupação com o risco de uma escalada tarifária entre os vizinhos.
Ao mesmo tempo, Harvey avaliou que o primeiro-ministro precisa identificar pontos de pressão nas tratativas. Ele também defendeu que o Canadá preserve os canais de diálogo com os Estados Unidos e evite ampliar a retórica em resposta a declarações americanas.
A disputa ocorre entre economias de dimensões muito diferentes: o material afirma que a economia dos Estados Unidos é 13 vezes maior que a canadense. Pesquisas mencionadas na reportagem apontam apoio amplo a Carney no Canadá, embora analistas vejam risco de perda desse respaldo caso os efeitos da guerra comercial se tornem mais perceptíveis.


