O Reino Unido anunciou na terça-feira (8) que proibirá o comércio de produtos fabricados em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. A decisão foi coordenada com França e Canadá e representa uma nova medida britânica de pressão sobre Israel.
O chanceler britânico, Ed Miliband, apresentou a iniciativa à Câmara dos Comuns e a vinculou à expansão dos assentamentos e à defesa da solução de dois Estados. Autoridades israelenses reagiram com críticas, enquanto o embaixador dos Estados Unidos em Israel classificou as sanções como discriminatórias.
Reino Unido veta mercadorias dos assentamentos
A proibição atinge mercadorias produzidas nos assentamentos israelenses instalados na Cisjordânia. Entre os itens originários dessas áreas estão produtos agrícolas, como alimentos frescos e vinho.
Esses bens representam uma parcela muito pequena do comércio total de Israel, segundo as informações divulgadas. Ainda assim, a decisão tem peso diplomático por se somar a críticas britânicas sobre a expansão dos assentamentos.
O alcance operacional da medida ainda depende de como o Reino Unido distinguirá os produtos feitos nos assentamentos daqueles fabricados em Israel. Essa separação é central para a aplicação da proibição comercial anunciada por Londres.
Medida mira expansão na Cisjordânia
Ao anunciar a decisão, Miliband afirmou que o Reino Unido deixaria de apenas denunciar a situação para tomar medidas contra a expansão dos assentamentos. O governo britânico sustenta que a ocupação israelense da Cisjordânia é ilegal.
O chanceler também afirmou que Londres identifica limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia. A posição britânica contrasta com a de Israel e eleva a tensão entre os dois governos.
Além disso, Miliband relacionou a iniciativa ao apoio histórico do Reino Unido à criação de dois Estados. Segundo ele, a expansão dos assentamentos ameaça essa perspectiva para israelenses e palestinos.
Projeto E1 ameaça solução de dois Estados
Entre as preocupações citadas está o projeto de assentamento E1, localizado na Cisjordânia, perto de Jerusalém. A área atravessaria terras reivindicadas pelos palestinos para a formação de um futuro Estado independente.
Na avaliação de Miliband, o projeto colocaria em risco a solução de dois Estados. A iniciativa se tornou um dos focos recentes das críticas internacionais à política de assentamentos israelense.
No mesmo dia do anúncio britânico, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, informou o avanço de planos para construir mil novas moradias em dois outros assentamentos na Cisjordânia. As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais perante o direito internacional, interpretação contestada por Israel.
Israel reage à decisão britânica
Dois ministros israelenses defenderam respostas contra o Reino Unido. Smotrich pediu a expulsão do embaixador britânico em Tel Aviv após o anúncio da proibição.
Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, solicitou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental. O posto é credenciado junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia.
O presidente israelense, Isaac Herzog, também criticou a medida. Ele acusou o Reino Unido de interferir nas eleições de Israel previstas para o fim de outubro.
Estados Unidos criticam as sanções
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, criticou a iniciativa em entrevista à BBC. Para ele, a medida poderia ter consequências nas relações comerciais entre Reino Unido e Estados americanos.
Huckabee mencionou leis de alguns estados dos EUA que impedem empresas que boicotam Israel de participar de contratos públicos, compras governamentais ou investimentos públicos. Ele associou a proibição britânica a esse tipo de restrição.
Ao mesmo tempo, o Reino Unido informou que sua decisão se aplica a produtos dos assentamentos, e não a todas as mercadorias israelenses. O comércio bilateral anual entre os dois países é estimado em 6 bilhões de libras, equivalentes a US$ 8,12 bilhões, embora o efeito direto da medida deva ser limitado pelo baixo volume desses produtos.
Relações entre Londres e Israel se deterioram
A decisão sucede outras ações britânicas relacionadas ao conflito e à Cisjordânia. Em 2025, o Reino Unido se juntou a outros países no reconhecimento de um Estado palestino, com o objetivo declarado de incentivar a solução de dois Estados.
Em junho, Londres também aplicou sanções contra redes israelenses acusadas de financiar, facilitar e praticar violência na Cisjordânia ocupada por Israel. A nova proibição comercial amplia esse conjunto de medidas.
As relações entre os dois países vêm se tornando mais tensas nos últimos anos. O governo britânico tem criticado a atuação de Israel em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o aumento de ataques de colonos contra palestinos.


