Netanyahu ordena retirada de postos de colonos na Cisjordânia, dizem fontes

Medida atingiria estruturas sem autorização oficial israelense e ocorre após pressão dos Estados Unidos contra a violência de colonos.

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Redação
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A ordem atribuída a Netanyahu mira postos avançados de colonos sem autorização oficial na Cisjordânia.Issam Rimawi/Anadolu via Getty Images
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou o desmantelamento de postos avançados de colonos sem autorização oficial na Cisjordânia, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. A medida, ainda sem data conhecida para começar, ocorre em meio à pressão dos Estados Unidos para que Israel enfrente ataques de colonos contra palestinos.

As fontes afirmaram que a ordem prevê a retirada de colonos dessas estruturas. O gabinete de Netanyahu e as Forças de Defesa de Israel, que normalmente participariam de remoções desse tipo, não responderam de imediato aos pedidos de comentário relatados pela fonte.

Ordem mira postos sem autorização

Os postos avançados citados são instalados por colonos sem aprovação formal do Estado israelense. Em geral, essas áreas começam com caravanas pré-fabricadas e reúnem um número reduzido de moradores.

O Estado de Israel já demoliu algumas dessas estruturas em ocasiões anteriores. Por outro lado, também formalizou o reconhecimento de outros postos, o que permite o acesso a financiamento governamental.

O site israelense Ynet informou que as ordens atingiriam cerca de 100 postos avançados no território. As duas fontes ouvidas pela reportagem que originou a pauta não detalharam o número de estruturas alcançadas pela determinação atribuída a Netanyahu.

Pressão dos EUA precede decisão

Segundo as fontes, Netanyahu decidiu retirar os colonos dos postos não autorizados após pressão dos Estados Unidos, principal aliado de Israel. A iniciativa ganhou relevância em um contexto de denúncias de ataques e intimidação contra palestinos na Cisjordânia.

Uma instrução para retirar os locais construídos nas Áreas A e B”

Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Israel

No sábado, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, reuniu-se com palestinos-americanos em uma cidade palestina da Cisjordânia. Depois do encontro, ele classificou colonos violentos como terroristas e defendeu consequências severas para os responsáveis.

Huckabee também afirmou que é interesse do próprio Israel agir contra colonos envolvidos no que descreveu como atividade criminosa e terrorismo. O governo israelense condena a violência de colonos, embora a fonte relate que prisões e processos contra responsáveis são raros.

Ministro cita áreas palestinas

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, confirmou ter conhecimento de uma orientação de Netanyahu ao comentar a informação publicada pelo Ynet. Segundo ele, a instrução tratava da retirada de locais erguidos nas Áreas A e B da Cisjordânia.

Essas áreas concentram a maior parte da população palestina. Os Acordos de Oslo, firmados provisoriamente na década de 1990 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina, dividiram a Cisjordânia nas zonas A, B e C.

Smotrich disse discordar da decisão. Ao mesmo tempo, afirmou que o governo avançou na expansão de assentamentos na Área C, região onde ele supervisionou projetos habitacionais em assentamentos e onde houve reconhecimento formal de casas construídas sem autorização.

Números mostram expansão territorial

A organização israelense Peace Now, crítica da expansão dos assentamentos e defensora da solução de dois Estados, contabiliza 340 postos avançados na Cisjordânia. Além deles, há 146 assentamentos formalmente reconhecidos pelo governo de Israel, segundo a entidade.

Órgãos da ONU e a maioria dos governos consideram os assentamentos israelenses ilegais segundo o direito internacional e classificam a Cisjordânia como território ocupado sob controle militar. Israel contesta essa interpretação e sustenta que o território é disputado, não ocupado.

No mês anterior, colonos cercaram casas de palestinos em uma aldeia próxima, incluindo uma propriedade de um palestino-americano, antes da retirada pelos militares, segundo o relato. Moradores afirmaram que continuaram a sofrer assédio e intimidação de colonos, o que amplia a pressão sobre o governo israelense para executar medidas concretas.

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