Violência na Cisjordânia deixa dois palestinos mortos e israelense ferido

Episódios separados envolveram tropas israelenses, colonos e moradores palestinos em Hajja e na região de Qusra, segundo relatos de autoridades e residentes.

Da
Redação
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Dois incidentes separados elevaram a tensão na Cisjordânia ocupada na segunda-feira (7).Reuters
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A violência na Cisjordânia ocupada deixou dois palestinos mortos em incidentes separados na segunda-feira (7). Em um dos casos, tropas israelenses atiraram durante um confronto ocorrido após a entrada de colonos em Hajja, no norte do território, segundo moradores e as Forças Armadas de Israel.

Em outro episódio, perto de Qusra, um palestino foi morto depois de, segundo o Exército israelense, esfaquear um colono israelense e tentar atacar soldados. O israelense, de 20 anos, ficou gravemente ferido, de acordo com militares e médicos israelenses.

Confronto em Hajja termina com morte

Moradores de Hajja disseram que cerca de nove colonos armados entraram na periferia leste da aldeia durante a noite. Segundo esses relatos, os israelenses vieram de um posto avançado situado a aproximadamente dois quilômetros, por uma estrada de terra.

Mais de 100 moradores foram à área para confrontar os colonos, afirmou Ziad Batta, residente da aldeia. Na versão apresentada por ele, os palestinos ficaram entre os colonos e as tropas israelenses, que se aproximaram pelo lado oposto.

Os moradores relataram disparos feitos por colonos e soldados. Um palestino de 19 anos morreu, e outros três ficaram feridos, segundo os residentes.

Exército apresenta versão distinta

As Forças Armadas de Israel informaram que enviaram tropas a Hajja após receberem informação de que israelenses haviam entrado na aldeia. O comunicado militar não detalhou a atuação dos colonos mencionada pelos moradores.

Segundo o Exército, palestinos atiraram pedras contra os soldados. Os militares disseram que adotaram procedimentos de prisão, inicialmente com tiros de advertência para o ar e, depois, com disparos contra o que chamaram de principais instigadores.

Os colonos começaram a disparar gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.”

Ziad Batta, morador de Hajja

Assim, a dinâmica que antecedeu a morte tem versões divergentes. Os residentes atribuem disparos tanto a colonos quanto a tropas; já a nota militar descreve uma resposta dos soldados ao lançamento de pedras.

Ataque perto de Qusra fere israelense

O segundo incidente ocorreu em um posto avançado de colonos perto da aldeia de Qusra. De acordo com militares e médicos israelenses, um palestino entrou no local e esfaqueou um israelense de 20 anos, que sofreu ferimentos graves.

O Exército afirmou que montou bloqueios nas estradas da região e localizou o suspeito nas proximidades de uma aldeia a oeste. Ainda segundo a corporação, o homem tentou esfaquear soldados antes de ser atingido por tiros disparados por um comandante militar.

O Ministério da Saúde da Autoridade Palestina confirmou a morte de um homem de 34 anos, mas não divulgou detalhes sobre as circunstâncias. Dessa forma, o órgão confirmou a vítima, enquanto a descrição do confronto posterior foi apresentada pelos militares israelenses.

Assentamentos ampliam tensão no território

Os episódios ocorrem em meio a uma sequência de ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia. A região reúne dezenas de assentamentos israelenses e postos avançados, alguns formados por caravanas instaladas sem aprovação formal do governo.

Benjamin Netanyahu declarou que deseja a recuperação do israelense ferido e associou o ataque a grupos que classificou como terroristas. O premiê também disse que Israel seguirá perseguindo responsáveis por ataques e destruindo o que chamou de infraestrutura terrorista na Cisjordânia.

Segundo relato publicado pela Reuters no domingo (6), Netanyahu teria ordenado o desmantelamento de alguns postos avançados após pressão dos Estados Unidos. O gabinete do líder israelense não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre essa ordem.

Órgãos da ONU e a maior parte dos governos consideram ilegais, sob o direito internacional, os assentamentos instalados em áreas conquistadas por Israel na guerra de 1967. Israel rejeita essa interpretação e sustenta que o território é disputado, e não ocupado.

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