As quatro reservas de desenvolvimento sustentável criadas no Amazonas somam cerca de 669 mil hectares e passam a proteger a biodiversidade e os modos de vida de populações agroextrativistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os decretos em evento realizado em referência ao Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro.
A categoria permite que os moradores utilizem recursos naturais de forma sustentável, ao mesmo tempo em que preserva os ecossistemas. As novas unidades ficam em Borba, Beruri, Tapauá, Careiro, Arautazes e Humaitá.
Reservas protegem áreas no Amazonas
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Tupana Igapó-Açu I ficará no município de Borba. Já a Tupana Igapó-Açu II abrangerá áreas de Beruri e Tapauá.
A lista inclui ainda a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Canaã, situada em Careiro e Arautazes, e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mirari, em Humaitá.
Juntas, as quatro unidades chegam a aproximadamente 669 mil hectares. A criação busca conciliar a conservação ambiental com a permanência das comunidades que dependem de atividades agroextrativistas.
Medida combina conservação e uso sustentável
As reservas de desenvolvimento sustentável integram uma categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos naturais pelas populações locais. Dessa forma, a proteção ambiental ocorre junto à manutenção de práticas econômicas e modos de vida existentes nos territórios.
O modelo diferencia essas áreas de unidades voltadas à proteção integral, nas quais as regras de acesso e uso dos recursos são mais restritivas. Nas reservas criadas no Amazonas, a proposta é preservar a biodiversidade sem retirar das comunidades a possibilidade de utilizar os recursos de maneira sustentável.
A iniciativa também amplia a presença de áreas formalmente protegidas no estado. Além disso, relaciona a conservação da floresta à proteção das populações que vivem e trabalham nesses territórios.
Parque nacional cresce no Piauí
Os decretos assinados no mesmo evento também ampliaram em 7.192 hectares o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí. Com a mudança, a unidade passa a ter 13.502 hectares.
A floresta em pé é mais rentável que uma floresta derrubada ou queimada”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
O presidente associou a proteção ambiental ao potencial econômico do turismo em áreas preservadas. Em discurso, Lula afirmou que o interesse da sociedade pela floresta aumentará quando a conservação demonstrar retorno econômico suficiente.
Segundo ele, o turismo pode incentivar as pessoas a conhecer e valorizar a riqueza natural do país. A declaração apresentou a atividade turística como uma das formas de reforçar a defesa de áreas preservadas.
Concessões avançam na Flona de Humaitá
Durante o evento, o Serviço Florestal Brasileiro assinou contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional de Humaitá, no Amazonas.
Os contratos têm prazo de 40 anos e abrangem 162,7 mil hectares. Eles completam a concessão das três unidades da Flona de Humaitá.
Ao todo, as três unidades somam 200,9 mil hectares sob manejo sustentável. A concessão organiza a exploração autorizada da floresta dentro de regras de manejo, sem alterar a destinação da área como unidade de conservação.
Fundo Amazônia destina recursos a quilombolas
O evento também marcou a destinação de R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia ao projeto Naturezas Quilombolas. Os recursos são não reembolsáveis e deverão apoiar a gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas da Amazônia Legal.
O projeto prevê a elaboração e a implementação de planos de gestão em mais de 16 territórios. A iniciativa terá prazo de execução de 60 meses.
A Fundação Guamá ficará responsável pela execução do projeto. Os recursos ampliam o conjunto de ações anunciadas no evento, que reuniu conservação ambiental, manejo florestal e apoio à gestão de territórios tradicionais.
Anúncios marcam o Dia da Amazônia
A assinatura dos decretos ocorreu em alusão ao Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro. A data serviu de referência para anúncios relacionados à proteção de áreas naturais e ao uso sustentável dos recursos.
Além das reservas no Amazonas e da ampliação do parque no Piauí, o governo federal apresentou medidas voltadas à exploração florestal regulada e às comunidades quilombolas.
Em conjunto, as ações anunciadas abordam diferentes frentes da política ambiental: criação de unidades de conservação, expansão de áreas protegidas, concessão para manejo sustentável e financiamento da gestão territorial. Assim, o evento reuniu medidas com públicos e objetivos distintos dentro da agenda de preservação.


