A campanha Amazônia de Pé promove neste fim de semana uma Virada Cultural para relacionar a preservação da floresta ao voto nas eleições gerais de 4 de outubro. Com o tema “Cada voto pela Amazônia conta”, a quinta edição reúne atividades nas cinco regiões do país no Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro.
A mobilização busca incentivar eleitores a observar compromissos ambientais dos candidatos. Ao mesmo tempo, organizadores afirmam que a agenda eleitoral precisa considerar soluções e aspirações de pessoas que vivem nos territórios amazônicos.
O movimento informa reunir mais de 20 mil ativistas e cerca de 300 coletivos e organizações não governamentais. A programação inclui festivais culturais, gastronômicos e musicais, além de debates, e supera 300 atividades.
Virada mobiliza as cinco regiões
A Virada Cultural Amazônia de Pé concentra eventos durante o fim de semana, quando a campanha associa a data ambiental ao período de 30 dias até o primeiro turno. A iniciativa adota a floresta em pé como eixo da mobilização política e cultural.
Segundo o movimento, um mapa na internet reúne os locais das mais de 300 ações programadas. As atividades ocorrem em diferentes partes do país, ampliando o alcance da campanha para além da região amazônica.
Para Catarina Nefertari, codiretora executiva da Amazônia de Pé, a presença pública da mobilização também procura chamar a atenção de quem disputa as eleições. A ativista defende que os planos de governo incorporem perspectivas de moradores dos territórios.
Alegoria abre programação no Pará
O início da virada ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro, no Território Indígena Borari, em Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará. Uma cobra cenográfica de 30 metros de extensão marcou a abertura da programação.
A mesma alegoria havia sido apresentada em Belém, em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30. Na ocasião, a ação chamava atenção para a necessidade de proteger a maior floresta tropical do mundo.
A utilização da peça em Alter do Chão conecta a programação local à atuação nacional da campanha. Além disso, coloca um território indígena entre os pontos de partida da agenda cultural e eleitoral proposta pelo movimento.
Data relembra criação da Província Amazônica
O Dia da Amazônia é reconhecido nacionalmente por lei desde 2007. A escolha de 5 de setembro remete à criação da Província Amazônica, em 1850, ainda durante o Império.
No Acre e no Amazonas, a data já era oficializada desde 1968. Dessa forma, a celebração reúne referências históricas estaduais e um reconhecimento posterior em âmbito nacional.
A Amazônia ocupa 49,5% do território brasileiro e é o bioma de maior extensão do país. Por isso, a situação da floresta mobiliza autoridades e ativistas tanto no Brasil quanto no exterior.
Movimento alerta para terras sem destinação
Entre as preocupações apontadas pela Amazônia de Pé estão as Florestas Públicas Não Destinadas, conhecidas pela sigla FPNDs. São áreas que ainda aguardam uma definição estatal sobre uso e gestão.
Karina Penha, também codiretora do movimento, afirma que a falta de destinação para conservação, uso sustentável ou reconhecimento territorial amplia a vulnerabilidade dessas terras a crimes ambientais. A campanha inclui esse tema entre as questões que pretende levar ao debate eleitoral.
“Sem uma destinação para conservação, uso sustentável ou reconhecimento territorial, tornam-se mais suscetíveis aos crimes ambientais”, afirmou Penha. O posicionamento destaca a relação entre decisões de gestão territorial e a proteção da floresta.
Dados registram queda nos alertas
Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, o Deter, indicaram queda de 36,87% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026. O levantamento registrou 2.874,38 quilômetros quadrados sob alerta.
De acordo com os números apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o resultado é o menor desde 2016, início da série histórica. A área sob alerta equivale à metade do território do Distrito Federal.
No fim de agosto, o Sistema de Alerta de Desmatamento, do Imazon, informou que 60% das terras indígenas da Amazônia tiveram desmatamento zero entre agosto de 2025 e julho de 2026. Ainda assim, a campanha sustenta que a proteção territorial deve permanecer no centro das escolhas políticas.
Eleição definirá cargos nacionais e estaduais
No primeiro turno das eleições gerais, os brasileiros escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais no Distrito Federal. A votação está prevista para 4 de outubro.
O segundo turno, marcado para 25 de outubro, poderá ocorrer nas disputas por presidente e governador. A nova votação depende de nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, sem contar brancos e nulos.
Nefertari define a realização simultânea de ações pelo país como “um levante pelo país inteiro”. Para a Amazônia de Pé, a mobilização cultural funciona, portanto, como uma forma de inserir a preservação da floresta e as demandas territoriais na escolha dos representantes.


