Os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner defenderam no domingo (6) a retomada de negociações trilaterais entre Washington, Moscou e Kiev. A proposta surgiu após conversas com autoridades ucranianas na capital da Ucrânia, em meio a um fim de semana de contatos diplomáticos que também incluiu uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os encontros em Kiev abordaram novas ideias, sem detalhá-las. Embora não tenha sido anunciado um avanço concreto, as partes sinalizaram a intenção de realizar novos encontros e discutiram a possibilidade de envolver representantes europeus.
Enviados defendem formato trilateral
Kushner disse que ele e Witkoff consideram produtivo retomar o modelo de diálogo com Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. Segundo o enviado, esse formato permite que os envolvidos conversem diretamente, sem que Washington atue como porta-voz de um dos lados.
Ele afirmou que o governo americano conversou com russos e ucranianos sobre essa possibilidade e espera progresso em breve. A defesa da retomada ocorre após contatos separados dos enviados americanos com Kiev e Moscou.
Rodadas trilaterais anteriores, mediadas pelos Estados Unidos, não resolveram temas centrais da guerra. Entre os impasses citados estão as questões territoriais e as garantias de segurança exigidas pela Ucrânia.
Zelensky pede presença europeia
Zelensky concordou com a necessidade de buscar encontros trilaterais, mas também mencionou a hipótese de incluir parceiros europeus nas conversas. Segundo ele, a definição dependerá da posição que a Rússia adotará.
O presidente ucraniano vinculou a diplomacia ao objetivo de interromper as perdas de vidas e impedir uma repetição da agressão russa. Ele avaliou que cada reunião pode aproximar as partes de um desfecho para a guerra.
Ao mesmo tempo, Zelensky não divulgou o conteúdo das novas ideias discutidas com os representantes americanos. A ausência de detalhes impede avaliar se houve alteração nas posições sobre território, segurança ou cessar-fogo.
Conversas reúnem aliados em Kiev
As tratativas entre Estados Unidos e Ucrânia terminaram no domingo à noite, no horário local, depois de duas rodadas de discussões. Em seguida, houve uma terceira rodada com representantes europeus.
De acordo com Kyrylo Budanov, chefe do Gabinete da Presidência ucraniana, autoridades do Reino Unido, da França e da Alemanha participaram das conversas em Kiev. Zelensky disse que Ucrânia, Europa e Estados Unidos pretendem se reunir novamente em breve.
A visita marcou a primeira ida de Witkoff e Kushner à capital ucraniana desde o início da guerra. Antes das reuniões, Zelensky agradeceu ao presidente Donald Trump por viabilizar a viagem sob o ponto de vista da segurança.
Trégua limita ataques às capitais
Rússia e Ucrânia estabeleceram uma trégua temporária de 72 horas durante a passagem dos enviados americanos pela região. A medida previa a suspensão de ataques aéreos especificamente contra Kiev e Moscou.
A interrupção começou à meia-noite entre sexta-feira e sábado e se estendeu pelo fim de semana de diplomacia. No entanto, ela não alcançou o restante do território ucraniano.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, as forças russas lançaram 108 drones Shahed a partir da Rússia até domingo. Os ataques atingiram 11 localidades no país, deixaram ao menos três mortos e afetaram infraestrutura na região de Kiev, sem atingir a capital.
Ataques expõem defesa aérea ucraniana
A passagem da delegação americana por Kiev ocorreu sob a pressão de ataques russos quase contínuos de mísseis e drones contra a cidade. Os enviados foram levados a uma catedral no centro da capital que sofreu danos em ataques anteriores.
A Catedral de Santa Sofia, inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, teve janelas e caixilhos danificados. Na sexta-feira (4), um ataque russo contra a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia também afetou o local, segundo o material informado.
Zelensky afirmou que a falta de interceptores de defesa aérea deixa o país exposto sobretudo a mísseis balísticos. Ele disse que os Estados Unidos ampliarão no próximo ano a produção de mísseis antibalísticos Patriot, sistemas nos quais a Ucrânia conta para sua defesa.
Moscou sinaliza próximos passos
Antes de seguirem para Kiev, Witkoff e Kushner se reuniram por três horas com Putin no Kremlin, no sábado. Após a conversa, eles participaram de um jantar com o presidente russo, conforme comunicado do Kremlin.
Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, classificou a reunião como útil e disse que os representantes americanos levaram considerações sobre possíveis caminhos para um acordo. Segundo ele, a delegação demonstrou interesse em encerrar as hostilidades o mais rapidamente possível.
Um funcionário da Casa Branca afirmou que americanos e russos discutiram planos concretos para os próximos passos, que seriam anunciados nas semanas seguintes. Ainda assim, não houve anúncio de acordo, nem indicação pública de solução para os pontos que permanecem em disputa.


