A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (7) planos para investir 200 milhões de euros na Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou a iniciativa durante uma visita de dois dias à ilha ártica.
Segundo a presidente da Comissão, o pacote deve priorizar minerais essenciais, comunicações por satélite e energia renovável. O anúncio ocorre enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste que seu país deveria controlar a Groenlândia, posição rejeitada pelos governos groenlandês e dinamarquês.
UE anuncia investimento na Groenlândia
Von der Leyen chegou à Groenlândia no domingo, para uma agenda voltada a demonstrar apoio da União Europeia às autoridades locais e à Dinamarca. A chefe do Executivo europeu afirmou que o bloco pretende estreitar a cooperação com o território.
O valor anunciado é de 200 milhões de euros. De acordo com autoridades da UE citadas no material, o pacote amplia tanto o financiamento destinado à Groenlândia quanto os setores contemplados pelos recursos europeus.
A presidente da Comissão Europeia associou a iniciativa ao apoio político ao Reino da Dinamarca e à população groenlandesa. A Groenlândia possui autogoverno em várias áreas, mas integra o Reino da Dinamarca.
Recursos priorizam setores estratégicos
Os planos apresentados pela Comissão Europeia incluem investimentos em minerais essenciais. Esses recursos ganharam peso estratégico na disputa global por cadeias de fornecimento e tecnologias.
Além disso, a UE apontou as comunicações via satélite como uma das áreas que receberiam atenção. A conectividade tem relevância particular em um território ártico de grandes dimensões e baixa densidade populacional.
A energia renovável completa os três eixos especificados no anúncio. O material fornecido não detalha projetos, cronograma de execução nem a divisão dos 200 milhões de euros entre cada setor.
Visita reforça apoio à Dinamarca
A viagem ocorre após declarações de Trump sobre a intenção de os Estados Unidos controlarem a maior ilha do mundo. Os governos da Groenlândia e da Dinamarca rejeitaram de forma enfática essa campanha, segundo o material.
Von der Leyen sustentou que a definição do futuro do território cabe à população groenlandesa e à Dinamarca. Assim, a visita combinou o anúncio econômico com uma manifestação política de apoio à soberania dinamarquesa.
A Groenlândia deixou a União Europeia em 1985. Ainda assim, seus habitantes são cidadãos da UE por terem cidadania dinamarquesa, e o bloco mantém relações e programas de financiamento para o território.
O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo da Groenlândia e da Dinamarca, e por mais ninguém.”
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
Historicamente, a União Europeia destinou recursos sobretudo a direitos de pesca e ao sistema educacional groenlandês. O novo pacote sinaliza uma expansão para setores ligados à infraestrutura e à estratégia econômica.
Pressão dos EUA eleva tensão
Trump argumentou que a Dinamarca não teria condições de defender a Groenlândia. A posição provocou tensão nas relações entre Estados Unidos e Europa e dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de acordo com o texto que deu origem à pauta.
Autoridades europeias têm destacado que a Groenlândia está coberta pelo compromisso de defesa mútua da Otan. Elas também ressaltaram que os Estados Unidos já podem ampliar sua presença militar no território sob um tratado antigo.
Em janeiro, em Davos, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia abririam negociações para tratar das divergências. Na mesma ocasião, ficou prevista uma atuação maior da aliança na segurança do Ártico.
As conversas trilaterais, porém, ainda não produziram acordo, segundo o material. Em julho, durante uma cúpula da Otan na Turquia, Trump voltou a defender que os Estados Unidos deveriam controlar a ilha.
Ártico amplia disputa geopolítica
A visita da presidente da Comissão Europeia ocorre em meio ao aumento da importância geopolítica do Ártico. Estados Unidos, Rússia, China e países europeus acompanham a região por razões de segurança, transporte e acesso a recursos.
O derretimento do gelo abre novas rotas marítimas e torna a riqueza mineral do Ártico mais acessível, conforme o material. Ao mesmo tempo, a transformação ambiental impõe impactos visíveis à região.
Durante a viagem, von der Leyen mencionou as marcas das mudanças climáticas observadas na Groenlândia. Para a Comissão Europeia, a alteração do ambiente ártico também reforça a necessidade de uma política regional.
Comissão prepara estratégia para região
Von der Leyen afirmou que sua Comissão apresentará uma nova estratégia da União Europeia para o Ártico nos próximos meses. O material não informa a data de divulgação nem o conteúdo detalhado do documento.
Paralelamente, a Comissão propôs mais que dobrar o financiamento europeu para a Groenlândia no próximo ciclo orçamentário. A previsão citada é elevar o montante de 225 milhões de euros no atual orçamento de sete anos para 530 milhões de euros entre 2028 e 2034.
Essa proposta tem horizonte distinto do pacote de 200 milhões de euros anunciado durante a visita. Enquanto o primeiro valor se refere aos novos planos divulgados pela presidente, o segundo integra a discussão sobre o orçamento plurianual futuro da UE.
Dessa forma, a União Europeia busca combinar investimento econômico, presença institucional e uma estratégia para o Ártico. A efetivação das medidas dependerá dos próximos desdobramentos políticos e orçamentários indicados pela Comissão.


