Rússia critica envio de sistema de mísseis dos EUA à Noruega

Moscou afirma que lançadores Mk-41 podem ameaçar seu território e dificultar conversas com Washington sobre estabilidade estratégica.

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Redação
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A Rússia contestou a instalação de um sistema americano baseado em lançadores Mk-41 na Noruega.27 de agosto de 2025 REUTERS/Annegret Hilse
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A Rússia criticou em 7 de setembro a instalação, na Noruega, de um sistema de mísseis dos Estados Unidos baseado em lançadores Mk-41. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo classificou a medida como uma ameaça à segurança do país e disse que ela prejudica a perspectiva de diálogo com Washington sobre estabilidade nuclear estratégica.

Segundo relatos divulgados pela mídia americana e citados no material, Washington entregou o novo sistema de lançamento à Noruega em agosto. A reação de Moscou ocorreu dias depois de uma reunião entre enviados do presidente Donald Trump e o presidente Vladimir Putin, voltada às possibilidades de encerrar a guerra na Ucrânia.

Moscou critica instalação na Noruega

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a presença do sistema americano na Noruega representa mais um entrave às negociações estratégicas entre Moscou e Washington. A pasta associou diretamente a instalação militar às discussões sobre estabilidade nuclear.

Para o governo russo, a implantação de mísseis terrestres americanos de alcance intermediário na Europa compromete as condições para uma conversa construtiva sobre temas estratégicos. Essa é a avaliação apresentada no comunicado divulgado pela chancelaria.

A manifestação russa não informa, porém, a configuração específica do equipamento entregue nem detalha seu local de instalação em território norueguês. A informação sobre a entrega em agosto aparece atribuída a notícias da mídia americana.

Lançadores Mk-41 ampliam preocupação

A chancelaria russa disse que o sistema é baseado em lançadores Mk-41, capazes de disparar diferentes tipos de mísseis. Entre os armamentos mencionados estão os mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Moscou sustenta que projéteis lançados a partir desses equipamentos poderiam alcançar uma parte substancial da Rússia europeia, incluindo a capital, Moscou. Trata-se de uma avaliação do governo russo sobre o alcance e o risco do sistema.

Além disso, a Rússia vinculou a presença do equipamento na Noruega ao debate mais amplo sobre a instalação de armamentos americanos na Europa. O comunicado tratou esse movimento como um fator de deterioração no ambiente de segurança estratégica.

Rússia indica possíveis alvos

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo declarou que dará “atenção especial” aos locais de implantação e aos centros de comando e controle ligados aos sistemas americanos. A pasta afirmou que essas estruturas se tornariam alvos em caso de conflito militar.

A declaração descreve a posição oficial de Moscou diante do envio do sistema, e não relata um confronto em curso na Noruega. Ainda assim, evidencia a escalada verbal em torno da presença militar dos Estados Unidos no país nórdico.

A Rússia também apresentou a implantação como uma ameaça direta à Federação Russa. Dessa forma, o comunicado conectou o tema militar à disposição do país para negociar questões de segurança com os Estados Unidos.

Diálogo estratégico enfrenta impasse

A chancelaria russa afirmou que o diálogo sobre estabilidade estratégica entre Moscou e Washington foi limitado durante o governo americano anterior. Ao mesmo tempo, criticou a intenção do governo atual de buscar negociações multilaterais que incluam a China.

Segundo a pasta, esse formato de conversa seria “irrealista”. O comunicado não detalha quais condições a Rússia considera necessárias para uma eventual retomada de negociações mais amplas.

A crítica ao sistema na Noruega, portanto, foi apresentada dentro de uma disputa diplomática maior. Moscou argumenta que decisões militares dos Estados Unidos na Europa afetam diretamente o espaço para entendimentos sobre armamentos e segurança nuclear.

Enviados dos EUA conversam com Putin

A posição russa veio após o encontro, em 5 de setembro, entre Putin e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, em Moscou. Os participantes discutiram possibilidades para encerrar a guerra da Ucrânia, que completou quatro anos e meio em agosto, conforme o material.

Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, descreveu a conversa como útil e afirmou que os representantes dos Estados Unidos demonstraram interesse em encerrar as hostilidades rapidamente. Ele também disse que a delegação apresentou considerações sobre possíveis caminhos para um acordo.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que os dois lados discutiram planos concretos para os próximos passos, que seriam anunciados nas semanas seguintes. Não houve, contudo, anúncio de um acordo após a reunião em Moscou.

Ucrânia volta ao centro das tratativas

No dia seguinte às conversas em Moscou, Witkoff e Kushner defenderam o retorno de negociações trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. A posição foi divulgada depois de reuniões que eles classificaram como substantivas com autoridades ucranianas em Kiev.

A viagem marcou a primeira ida dos dois enviados americanos à capital ucraniana desde o início da guerra. Ela ocorreu enquanto Kiev enfrentava ataques quase ininterruptos de mísseis e drones russos, segundo o material.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que discutiu novas ideias em conversas com os Estados Unidos, sem detalhá-las. Embora Witkoff tenha demonstrado confiança em uma solução, as reuniões não produziram avanço significativo anunciado publicamente.

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