O tráfego comercial no Estreito de Ormuz caiu ao menor nível desde maio, segundo dados da empresa de informações marítimas Kpler citados pela CNN Brasil. Nos dez dias encerrados em 6 de setembro, a média foi de dez embarcações comerciais por dia na passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
A redução ocorre em meio a relatos de ataques marítimos envolvendo Estados Unidos e Irã. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter atingido três petroleiros iranianos em 6 de setembro, enquanto a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter atacado embarcações americanas e petroleiros que, segundo ela, navegavam por rotas não autorizadas.
Dados mostram queda no tráfego comercial
A média de dez embarcações por dia registrada no período de dez dias foi a menor desde maio, de acordo com a Kpler. O dado sinaliza uma diminuição relevante na circulação comercial por uma das rotas marítimas mais sensíveis para o transporte de petróleo.
Os números variaram fortemente nos dias imediatamente anteriores. A média diária estava perto de 13 navios em 5 de setembro e havia superado 15 no dia 4, segundo os dados reproduzidos pela CNN Brasil.
Em 6 de setembro, cinco embarcações cruzaram o estreito. No dia anterior, o total havia sido de duas. Ainda assim, a tendência observada no intervalo de dez dias permaneceu abaixo dos níveis registrados antes dessa sequência de incidentes.
Petroleiros deixam de cruzar a passagem
Nenhum petroleiro de petróleo bruto de grande porte havia deixado o Estreito de Ormuz desde 2 de setembro, segundo a Kpler. A ausência desse tipo de navio amplia a atenção sobre os efeitos da instabilidade na logística energética regional.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Por isso, a redução de passagens comerciais e a interrupção de saídas de grandes petroleiros têm potencial de afetar o transporte marítimo que depende dessa rota.
Os dados citados não detalham os destinos das embarcações nem indicam, por si só, as decisões operacionais tomadas por armadores. Eles registram, porém, a menor média diária de travessias comerciais desde maio.
Estados Unidos e Irã relatam ataques
O Centcom informou em redes sociais que forças americanas atingiram três petroleiros iranianos em 6 de setembro. Segundo os militares dos Estados Unidos, a operação respondeu a um ataque da Guarda Revolucionária Islâmica contra dois navios de guerra americanos que patrulhavam as águas da região.
Já a Marinha da Guarda Revolucionária afirmou, também em 6 de setembro, ter atacado três embarcações americanas e três petroleiros. A corporação iraniana alegou que os navios trafegavam por rotas não autorizadas no Estreito de Ormuz.
As versões apresentadas pelas duas partes descrevem uma escalada no confronto marítimo, mas partem de fontes envolvidas diretamente nos episódios. O material disponível não traz verificação independente sobre os ataques relatados nem sobre os danos alegados.
Empresas elevam alerta sobre a navegação
A empresa grega de inteligência marítima Marisks classificou os ataques de 6 de setembro como uma grande escalada do conflito no mar. A avaliação se refere à ampliação dos riscos para embarcações que operam na área.
Segundo a Marisks, a passagem de navios de carga iranianos ou associados ao Irã pelo Estreito de Ormuz e pelo Golfo de Omã passou a envolver risco extremamente alto. A classificação indica preocupação específica com a exposição dessas embarcações na rota.
O relatório semanal da Operação de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), citado pela CNN Brasil, registrou 27 incidentes de ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz e em águas próximas desde 6 de julho. O número contextualiza a sequência de ocorrências que antecedeu a queda no tráfego comercial.
Irã anuncia nova zona restrita
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que o país anunciaria nos dias seguintes uma zona restrita fora do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita após os relatos de ataques de 6 de setembro.
Segundo Rezaei, Teerã também pretende incluir em sua lista de sanções qualquer navio que tente atravessar a área. O material não informa os limites previstos para a zona nem a data de entrada em vigor de eventuais restrições.
Assim, a navegação na região enfrenta ao mesmo tempo redução de tráfego, alegações militares conflitantes e a perspectiva de novas medidas iranianas. Os próximos anúncios de Teerã podem esclarecer o alcance prático da área restrita mencionada pelo governo iraniano.


