O Irã ameaçou responder de forma mais rápida e dura a eventuais novos ataques contra seus interesses e sua segurança, segundo declaração do presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, divulgada no domingo (6). Ao mesmo tempo, autoridades iranianas afirmaram que o governo busca reformas para enfrentar os efeitos das sanções dos Estados Unidos sobre a economia do país.
As declarações ocorreram após uma nova rodada de acusações militares entre Teerã e Washington. O Comando Central dos EUA disse ter atingido três embarcações iranianas no sábado (5), depois de atribuir à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã o lançamento de mísseis contra dois navios da Marinha americana. A Guarda, por sua vez, ameaçou ampliar ações contra embarcações militares dos EUA na região.
Qalibaf eleva ameaça aos EUA
Em discurso divulgado em um canal no Telegram, Qalibaf afirmou que os Estados Unidos deveriam entender que as condições da guerra contra o Irã haviam mudado. Ele associou a advertência à possibilidade de novos ataques contra interesses iranianos.
O dirigente também disse que o país preserva capacidade para atingir interesses americanos em nações vizinhas. Além disso, mencionou a possibilidade de interromper o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio global de energia.
Segundo o material divulgado, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel se arrasta há seis meses. Um entendimento preliminar de cessar-fogo firmado em junho não prosperou, e as tentativas diplomáticas para retomar um processo de paz registraram pouco avanço.
Confronto naval gera versões opostas
O Comando Central dos EUA afirmou que sua ação de sábado atingiu três petroleiros iranianos, incluindo uma embarcação na costa da Ilha de Kharg. A justificativa apresentada pelos americanos foi o suposto disparo de mísseis balísticos da Guarda Revolucionária contra dois navios dos EUA.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, disse que Washington imporia um custo econômico maior em reação a ataques contra suas embarcações. Segundo o comando, nenhum militar americano se feriu.
Já a agência semioficial iraniana Tasnim informou que quatro mísseis americanos acertaram um petroleiro na área de ancoragem de Kharg. De acordo com fontes locais citadas pela agência, não houve vítimas e a tripulação deixava o navio. A reportagem não apresenta confirmação independente das versões de ambos os lados.
Sanções pressionam a economia iraniana
Qalibaf afirmou que a frente econômica se tornou a principal batalha interna do Irã, ao lado da disputa militar. Ele listou oscilações cambiais, inflação, desemprego e gestão do mercado como desafios para o governo.
O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, declarou que Teerã responderá à pressão dos EUA com reformas. Segundo ele, as sanções não mudarão as decisões da população iraniana, e a transformação econômica deve ser conduzida pelo governo e pela sociedade do país.
Por sua vez, o vice-ministro da Economia, Morteza Zamanian, afirmou à Tasnim que a chamada Central de Guerra Econômica do ministério intensificava os trabalhos para lidar com problemas ligados à guerra. As autoridades não detalharam, no material disponível, quais reformas devem ser adotadas ou em que prazo.
Kharg concentra risco para exportações
A Ilha de Kharg é descrita como o principal centro de exportação de petróleo do Irã. Antes da guerra, o local respondia por 90% das exportações iranianas de petróleo bruto, segundo as informações fornecidas.
O texto também afirma que os fluxos foram interrompidos desde o início, em meados de abril, de um bloqueio dos EUA às exportações de petróleo iraniano. O ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, declarou à televisão estatal que a ilha havia sofrido cerca de 550 ataques nos meses anteriores, mas seguia operando.
A tensão em torno de Kharg se soma ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, que, segundo o material, elevou os preços globais dos combustíveis. No domingo, a Tasnim ainda informou que a Guarda Revolucionária derrubou um balão de vigilância americano sobre Erbil, no norte do Iraque; a alegação não foi confirmada de forma independente no material analisado.


