Partos acontecem em Kiev durante alertas de ataques aéreos russos

Famílias enfrentam nascimento de bebês em meio à intensificação dos bombardeios e à crise demográfica da Ucrânia

Da
Redação
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Famílias enfrentam partos e alertas aéreos em uma maternidade de Kiev em meio à intensificação da guerra na Ucrânia.REUTERS
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Partos aconteceram em uma maternidade de Kiev enquanto a capital da Ucrânia permanecia sob alertas de ataques aéreos durante uma nova onda de drones lançada pela Rússia. Na Maternidade Municipal nº 2, Yuliia Ishchuk, de 26 anos, deu à luz com o marido, o militar Vitalii Ishchuk, ao seu lado.

O nascimento ocorreu em meio à intensificação dos bombardeios, que, segundo o relato, atingem Kiev quase sem interrupção desde 27 de agosto. Ao mesmo tempo, outras gestantes foram encaminhadas ao abrigo subterrâneo da unidade após um novo alerta.

Partos desafiam os alertas em Kiev

Yuliia Ishchuk entrou em trabalho de parto enquanto um mapa no celular mostrava alertas ativos em Kiev e na região metropolitana. A equipe médica decidiu realizar o procedimento apesar da ameaça aérea sobre a cidade.

Vitalii permaneceu ao lado da mulher durante todo o nascimento. Depois, ele segurou o recém-nascido e demonstrou forte emoção, embora tenha dito que normalmente se considera uma pessoa controlada.

O casal também relatou que a bolsa de Yuliia estourou durante a madrugada, quando ainda não havia preparado as malas nem organizado a ida ao hospital.

Outra mãe dá à luz durante o aviso

Alyona Bohatyrenko, de 32 anos, também teve a filha na maternidade durante um alerta aéreo. O parto ocorreu na quarta-feira, dia 2, conforme o material fornecido.

Não houve explosões nas proximidades durante a etapa final do trabalho de parto de Bohatyrenko. Ainda assim, a experiência ocorreu sob a possibilidade de novos ataques contra a capital.

A mãe afirmou que a situação está longe de ser normal, mas que os moradores acabam se adaptando à rotina de alertas e ameaças. Ela avaliava a possibilidade de passar o inverno em outro local com a filha recém-nascida.

Abrigos recebem gestantes durante ataques

Após um novo alerta, várias mulheres grávidas desceram ao abrigo no subsolo da maternidade acompanhadas dos parceiros. A movimentação mostrou como a unidade precisa manter o atendimento obstétrico enquanto administra riscos militares.

Teremos de ver como as coisas se desenrolam, pois, pelas previsões, será muito difícil ficar em Kiev neste inverno com uma criança pequena.”

Alyona Bohatyrenko, mãe que deu à luz durante um alerta aéreo

Yuliia Kukhar, de 29 anos, disse ter observado poucas mulheres na maternidade. Ela esperava o terceiro filho, depois de duas meninas, e associou a redução do número de gestantes ao medo provocado pela guerra.

Kukhar afirmou que a possibilidade de convocação de homens para o serviço militar também influenciou suas preocupações sobre ter um menino. A família, segundo ela, reconsiderou planos por causa do conflito em andamento.

Bombardeios atingem a rotina da capital

O relato descreve uma nova onda de drones de alta velocidade lançada pela Rússia contra a Ucrânia, incluindo Kiev. Nas últimas duas semanas, os ataques ocorreram durante o dia e à noite, segundo o material.

Rússia e Ucrânia atacam infraestrutura energética e logística do adversário em uma tentativa de obter vantagem na guerra aérea. Moscou afirma que seus ataques têm objetivos militares.

O governo ucraniano, por outro lado, diz que os bombardeios procuram afetar o moral da população civil e pressionar as autoridades a aceitar a entrega de territórios. As duas versões aparecem como posições divergentes das partes envolvidas.

Inverno amplia o temor de apagões

As famílias entrevistadas temem que as condições se agravem durante o inverno. O sistema energético ucraniano fornece eletricidade, aquecimento e água encanada, áreas que podem ser afetadas pela ofensiva contra a infraestrutura.

Vitalii Ishchuk avaliava mudar-se com a família para uma área de Kiev com abrigo mais seguro ou deixar a cidade. Para ele, porões improvisados em escolas e lojas não oferecem proteção suficiente.

Bohatyrenko não considerava deixar a Ucrânia, mas admitia procurar outro local durante o inverno. A decisão dependeria da evolução dos ataques e das condições para permanecer na capital com uma criança pequena.

Guerra aprofunda a crise demográfica

A Ucrânia enfrenta uma queda acentuada nas taxas de natalidade. O material relaciona o problema a dificuldades econômicas anteriores à invasão em larga escala e, desde fevereiro de 2022, ao serviço militar dos parceiros e ao receio pela segurança.

A guerra também afeta decisões familiares e a permanência de casais em Kiev. Além do risco direto dos ataques, a convocação militar e a instabilidade da infraestrutura pesam sobre os planos de ter filhos.

Os nascimentos na Maternidade Municipal nº 2 ocorreram, portanto, em duas frentes de crise: a ameaça imediata dos alertas aéreos e o impacto prolongado do conflito sobre a população ucraniana.

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