O Irã reagirá caso a agência nuclear da ONU aprove uma resolução contra o país, declarou nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei. A afirmação foi divulgada pela agência semioficial Fars.
Na mesma data, Baghaei informou que Teerã mantém contatos com países da região para reduzir as tensões. Ao mesmo tempo, ele advertiu a Coreia do Sul de que uma participação em operações militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico ou no Estreito de Ormuz teria consequências, segundo publicação do porta-voz na rede X.
Irã condiciona reação à resolução
Baghaei não detalhou qual seria a resposta iraniana a uma eventual aprovação da resolução pela agência nuclear da ONU. A declaração, portanto, apresenta uma posição preventiva de Teerã diante da possibilidade de uma medida contra o país.
Segundo o porta-voz, países europeus que buscam a resolução agem de forma “irracional”. Ele associou essa crítica à guerra com os Estados Unidos e afirmou que as instalações nucleares iranianas se tornaram inacessíveis.
O material disponível não informa o teor da possível resolução, quais países europeus a defendem nem em que fase estaria sua discussão. Também não traz manifestação dos governos europeus citados de forma genérica por Baghaei.
A diplomacia é uma questão dinâmica e contínua”
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
Catar mantém conversas em Teerã
Uma delegação do Catar chegou a Teerã no domingo, 6 de setembro, e se reuniu com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com Baghaei. O porta-voz classificou as conversas como produtivas.
O Catar ganhou espaço como mediador nos esforços para diminuir a tensão entre Teerã e Washington. Além disso, o país manifestou apoio a negociações entre Omã e Irã para criar um corredor marítimo temporário e remover minas no Estreito de Ormuz.
Baghaei disse que o Irã também recebeu delegações de Omã e do Paquistão nas semanas anteriores. Segundo ele, contatos com países regionais continuam em busca de redução das tensões.
No mês anterior, o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, havia se encontrado em Teerã com autoridades iranianas de alto escalão. A agenda ocorreu em meio às iniciativas diplomáticas relatadas pelo governo iraniano.
Porta-voz alerta a Coreia do Sul
Também nesta segunda-feira, Baghaei publicou em coreano uma advertência dirigida à Coreia do Sul. Ele afirmou que Teerã valoriza a relação de amizade entre os dois países, mas vinculou uma eventual presença militar sul-coreana às operações dos Estados Unidos.
Na publicação, o porta-voz declarou que a participação de outro país em operações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz seria entendida pelo Irã como apoio direto a Washington. A fala ocorre enquanto o governo iraniano acusa os Estados Unidos de agressão.
A presença militar ou participação de outro país em operações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz seria inevitavelmente considerada apoio direto à parte responsável pelos atos de agressão e levaria a sérias consequências”
Esmail Baghaei, em publicação na rede X
A mensagem foi divulgada após informações de que Seul sofre pressão dos Estados Unidos para participar de operações contra o Irã no Estreito de Ormuz. O texto não indica que a Coreia do Sul tenha aderido a qualquer missão.
Seul ainda avalia envio de tropas
No mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter perguntado ao presidente sul-coreano se o país gostaria de participar da “desnuclearização da República Islâmica do Irã”. Segundo Trump, a resposta foi negativa.
Posteriormente, a Coreia do Sul afirmou estar em comunicação estreita com os Estados Unidos sobre formas concretas e militares de contribuir para a liberdade de navegação no estreito. O país também informou participar de discussões internacionais sobre o tema.
Na sexta-feira, 4 de setembro, uma autoridade sul-coreana disse que o governo avaliava alternativas para enviar tropas a missões de combate e não combatentes. Conforme essa autoridade, Seul consultava Estados Unidos, Reino Unido e França, mas ainda não havia tomado uma decisão.
Assim, as declarações iranianas se somam a uma sequência de pressões e contatos diplomáticos em torno do Estreito de Ormuz. A eventual participação sul-coreana permanece em análise, enquanto Teerã tenta mobilizar canais regionais de mediação.


