O payroll forte nos EUA pressionou as bolsas de Nova York nesta sexta-feira, 4. O relatório de agosto apontou a criação de 162 mil vagas e levou investidores a aumentar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) elevará os juros em setembro.
Ao mesmo tempo, os rendimentos curtos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram. A reação refletiu a leitura de que o mercado de trabalho ainda oferece condições para uma alta da taxa de juros.
Payroll reforça aposta em juros
Além das 162 mil vagas criadas em agosto, o relatório trouxe revisões para cima nos dados de emprego de junho e julho. Esses ajustes reforçaram a percepção de força do mercado de trabalho americano.
Com isso, o mercado ampliou a expectativa de elevação dos juros pelo Fed na reunião deste mês. A perspectiva de política monetária mais restritiva pesou sobre os índices acionários.
A Capital Economics avaliou que até os defensores de uma postura mais branda do banco central teriam dificuldade para encontrar, nos dados de agosto, justificativa para manter as taxas inalteradas na próxima reunião.
Índices encerram sessão em baixa
O Dow Jones caiu 0,51% e fechou aos 53.414,25 pontos. O S&P 500 recuou 0,38%, para 7.718,60 pontos.
Já o Nasdaq perdeu 0,29% e terminou o pregão aos 26.506,99 pontos. Dessa forma, os três principais indicadores de Wall Street fecharam no campo negativo.
O recuo ocorreu após a divulgação do payroll. A leitura dos investidores foi que dados de emprego acima das projeções reduzem o espaço para o Fed adiar uma eventual alta de juros.
Semana mostra desempenho desigual
No acumulado da semana, o Dow Jones registrou baixa de 0,27%. O resultado diário, portanto, levou o índice a encerrar o período em queda.
Por outro lado, o S&P 500 manteve ganho semanal de 0,09%. O Nasdaq avançou 0,40% no mesmo intervalo.
A diferença entre os índices mostra que a queda da sexta-feira não apagou os ganhos semanais de S&P 500 e Nasdaq. Ainda assim, a expectativa sobre a decisão do Fed passou a orientar a reação do mercado ao dado de emprego.
Empresas ampliam e limitam perdas
Entre as quedas mais acentuadas, a Lululemon tombou 18% após divulgar seu balanço na véspera. A companhia de roupas esportivas apresentou resultado abaixo das previsões para o segundo trimestre e reduziu sua projeção para o ano.
A Oxford Industries também caiu 18%, depois de reduzir sua orientação de lucro para o ano fiscal. A Tesla, por sua vez, perdeu quase 6% após lançar o Cybercab.
Enquanto isso, ações de tecnologia ajudaram a limitar a pressão sobre os índices. A Nvidia subiu 0,8%, a AMD avançou 3,4%, a Sandisk saltou 10,2% e a Micron ganhou 4,7%.


