AfD lidera projeções em eleição estadual na Alemanha

Pesquisas de boca de urna apontaram 44% para o partido na Saxônia-Anhalt; contagem ainda não definia a formação do governo.

Da
Redação
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Pesquisas de boca de urna colocaram a AfD na liderança da eleição estadual da Saxônia-Anhalt.
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A AfD liderou as pesquisas de boca de urna da eleição estadual de domingo (6) na Saxônia-Anhalt, na Alemanha, com 44% dos votos, segundo o material divulgado durante a apuração. O desempenho colocava o partido à frente dos conservadores ligados ao chanceler Friedrich Merz, mas não lhe dava maioria absoluta.

Com a contagem ainda em curso, permanecia indefinido se a legenda conseguiria integrar ou conduzir o próximo governo estadual. A eleição ganhou peso nacional por ocorrer em meio à baixa avaliação do governo federal e ao avanço da AfD nas pesquisas de intenção de voto no país.

AfD lidera as projeções

As projeções divulgadas após o fechamento das urnas indicaram a AfD em primeiro lugar na Saxônia-Anhalt. O partido alcançou 44%, de acordo com o levantamento de boca de urna citado no material.

O número ficou abaixo da maioria absoluta. Por isso, a vitória projetada não resolvia, por si só, como seria formada uma administração estadual.

A emissora ZDF registrou participação de 77%. Enquanto isso, apoiadores da AfD comemoraram em Magdeburg após a divulgação dos primeiros dados.

Resultado mantém governo em aberto

Os principais partidos alemães têm recusado cooperação com a AfD. A posição dificulta as negociações, sobretudo porque a legenda não atingiu sozinha o patamar necessário para governar.

A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), partido menor, aparecia próxima de superar a cláusula de barreira para entrar no Parlamento estadual. A sigla sugeriu a hipótese de um chefe de governo apartidário apoiado por maiorias variáveis, inclusive com votos da AfD.

Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD no estado, rejeitou essa alternativa e também descartou acordos que, segundo ele, impedissem o partido de executar sua proposta política. Ele afirmou que novas eleições poderiam ocorrer se as negociações chegassem a um impasse.

Há um precedente regional de governo minoritário. Na vizinha Turíngia, os conservadores governam com tolerância passiva do Partido de Esquerda, segundo o material.

Voto pressiona governo federal

Uma pesquisa da emissora ARD apontou que 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt estavam insatisfeitos com o governo federal. Assim, o resultado projetado foi interpretado também como sinal de rejeição à coalizão nacional.

Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, avaliou que a eleição expressava desconfiança em relação ao governo federal. Merz havia prometido reformas favoráveis às empresas e aumento de gastos para reanimar a economia alemã.

Durante a campanha, o chanceler advertiu que uma vitória da AfD poderia prejudicar o estado e afastar investimentos estrangeiros. Ainda assim, os dados de boca de urna indicaram forte perda de espaço para os conservadores.

Partido amplia influência nacional

A Saxônia-Anhalt tem pouco mais de 2 milhões de habitantes e fez parte da antiga Alemanha Oriental comunista. Apesar de ser um dos menores estados do país, sua eleição amplia o debate sobre a força da AfD no cenário nacional.

Criada em 2013, a sigla aparecia com 28% das intenções de voto em pesquisa recente do instituto INSA. Os conservadores tinham 20%, conforme os números citados no material.

A classificação da AfD como extremista de direita foi atribuída ao escritório local do serviço de inteligência interna alemão. O partido rejeita essa caracterização e a considera alarmista.

O avanço da legenda ocorre em um país no qual o passado nazista contribui para a resistência dos partidos tradicionais a alianças com forças de extrema direita. Por outro lado, grupos de direita em outros países europeus celebraram o desempenho projetado da AfD.

Campanha defende agenda de restrições

A AfD defendeu restrições mais duras à imigração, a retomada das relações com a Rússia, a redução do apoio à Ucrânia e a saída do euro. A campanha também procurou explorar a frustração de parte do eleitorado com os partidos tradicionais.

No plano estadual, a legenda propõe orientar escolas e instituições culturais para valores que define como tradicionais. Além disso, defende mudanças na radiodifusão pública e turmas separadas para filhos de refugiados.

Entre outras propostas, estão a proibição de bandeiras arco-íris nas escolas, o hasteamento diário da bandeira alemã, patrulhas de cidadãos, maior ensino de russo e a interrupção da construção de novos parques eólicos.

Para Siegmund, a projeção eleitoral representa um marco para o partido. O candidato apresentou a disputa estadual como parte de uma estratégia para ampliar a presença da AfD antes da eleição federal prevista para 2029.

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