Um estudo conduzido por pesquisadores da China associou o consumo mais alto de açúcar adicionado a um risco 43% maior de demência entre adultos acompanhados por quase uma década. A análise reuniu 158.408 participantes, cuja idade média era de 56 anos.
O resultado descreve uma associação estatística, e não prova que o açúcar cause demência. Ainda assim, a pesquisa volta a atenção para hábitos alimentares na meia-idade, fase em que processos biológicos ligados à doença podem se desenvolver antes dos sintomas.
Estudo acompanha adultos de meia-idade
Os pesquisadores analisaram dados de 158.408 pessoas e estimaram a ingestão de açúcares adicionados e naturais por meio de registros alimentares. O acompanhamento ocorreu ao longo de quase dez anos, segundo o material divulgado.
A idade média dos participantes era de 56 anos. Dessa forma, o estudo buscou observar a relação entre a alimentação nessa etapa da vida e diagnósticos de demência na década seguinte.
Durante o período analisado, cerca de 0,7% dos participantes receberam diagnóstico de demência. O dado se refere ao conjunto acompanhado e não permite, por si só, prever o risco individual de uma pessoa.
Consumo de açúcar se associa ao risco
As pessoas com maior consumo de açúcar adicionado apresentaram risco 43% superior de desenvolver demência em comparação com aquelas que consumiam menos, conforme a pesquisa. O percentual informado representa uma comparação entre grupos do estudo.
O material também relata uma associação entre os açúcares naturalmente presentes nos alimentos e maior risco de demência. Nesse caso, porém, o efeito observado foi menor do que o atribuído aos açúcares adicionados.
A pesquisa não detalha, no material disponível, quais alimentos concentraram o consumo de açúcar, os níveis usados para separar os grupos nem os valores absolutos de diagnósticos em cada faixa de ingestão. Por isso, esses resultados exigem leitura cautelosa.
Genética pode modificar a associação
Além da alimentação, os pesquisadores avaliaram características genéticas relacionadas ao intestino. Segundo o relato do estudo, alguns participantes com esses perfis mostraram maior sensibilidade aos efeitos associados ao açúcar.
O material não especifica quais variantes genéticas foram examinadas nem a magnitude dessa diferença entre os grupos. Portanto, não é possível concluir, a partir das informações divulgadas, quais pessoas teriam maior vulnerabilidade.
Esse achado aponta para a possibilidade de que alimentação e características biológicas atuem de forma conjunta. No entanto, a observação de uma interação genética não equivale a um teste capaz de determinar o risco de demência de cada indivíduo.
Resultado não comprova causa da demência
Como o estudo acompanhou hábitos e desfechos de saúde, ele identifica relações entre fatores, mas não estabelece causalidade. Outros elementos ligados à saúde e ao modo de vida podem influenciar tanto a alimentação quanto o aparecimento de demência.
A demência costuma ser associada à velhice, mas o material destaca que seus processos biológicos podem começar décadas antes do diagnóstico. Por isso, a investigação se concentrou em pessoas na faixa dos 50 anos, antes da manifestação de sintomas.
Os dados reforçam a relevância de estudar fatores modificáveis ao longo da vida. Ainda assim, decisões alimentares e de saúde devem considerar orientação profissional, sobretudo porque o material disponível não informa a publicação científica, os métodos completos nem os fatores de confusão considerados pelos pesquisadores.


