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O diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, de 71 anos, renovou a atenção para o câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram. O pontífice foi submetido em 13 de outubro a uma cirurgia para retirar o lobo inferior do pulmão direito, após identificação de um nódulo.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para a doença, mas não explica todos os casos. Estudos internacionais associam parte dos diagnósticos entre não fumantes à poluição atmosférica, à exposição passiva à fumaça, ao radônio e a fatores biológicos.

Diagnóstico amplia debate sobre riscos

O Vaticano informou que a cirurgia ocorreu sem complicações. Os detalhes do exame definitivo do tecido retirado, incluindo características que ajudam a definir o estágio do câncer, são importantes para as próximas decisões médicas.

O caso individual do papa não permite identificar a causa de seu tumor. A ausência de histórico conhecido de tabagismo é uma informação diferente de uma demonstração de que determinado fator ambiental ou hereditário tenha provocado a doença.

Adenocarcinoma é subtipo frequente

O adenocarcinoma se desenvolve em estruturas glandulares e aparece com frequência nas regiões periféricas dos pulmões. É um dos principais subtipos de câncer pulmonar e tem presença particularmente relevante entre pacientes que nunca foram fumantes.

O tratamento varia conforme o tamanho, a localização e a extensão do tumor, além das condições gerais de saúde. Cirurgia pode ser indicada em casos localizados; radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e medicamentos dirigidos a alterações moleculares são considerados conforme a situação.

A confirmação histológica por análise do tecido é essencial. Também podem ser solicitados testes moleculares para identificar alterações que orientem opções terapêuticas, sem que isso signifique que todo paciente receberá o mesmo medicamento.

Poluição é fator investigado

Uma análise publicada em fevereiro de 2025 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, destacou o aumento da incidência de adenocarcinoma e sua associação com exposição à poluição do ar.

Entre os riscos ambientais estão partículas finas e outros contaminantes, além do gás radônio, que pode se acumular em ambientes fechados. Também existem exposições profissionais, como contato com amianto e determinados fumos industriais.

Essas associações são estudadas em populações e não permitem determinar individualmente o motivo de um diagnóstico. As pessoas podem reunir mais de um fator de risco, e há casos sem causa específica identificada.

Sintomas e medidas de prevenção

Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, sangue no escarro, cansaço e perda de peso sem explicação podem exigir investigação médica. Nos estágios iniciais, porém, o câncer de pulmão pode não provocar sintomas evidentes.

Não fumar continua sendo uma das principais medidas para reduzir o risco. Evitar a fumaça de terceiros, diminuir exposições ocupacionais e ambientais e buscar orientação diante de sintomas persistentes também fazem parte da prevenção.

O rastreamento por tomografia de baixa dose é recomendado para grupos específicos de alto risco conforme as diretrizes adotadas em cada país. Não há indicação universal de rastreamento apenas pelo fato de a pessoa nunca ter fumado.

No caso do papa, a escolha de tratamentos adicionais dependerá dos resultados da avaliação médica do material retirado na cirurgia. Informações sobre outros pacientes não permitem prever o prognóstico individual do pontífice.

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